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Carla Araújo

Um terço dos brasileiros economizou na pandemia e prevê mudar hábitos

Riscos e incertezas trazidos pela pandemia alteraram comportamento da população do país - Getty Images/iStockphoto/Moussa81
Riscos e incertezas trazidos pela pandemia alteraram comportamento da população do país Imagem: Getty Images/iStockphoto/Moussa81
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

15/12/2020 00h01

A pandemia do coronavírus ao longo de 2020 mudou alguns hábitos econômicos e de consumo dos brasileiros. De acordo com o levantamento Retratos da Sociedade Brasileira, produzido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), quase um terço da população (32%) afirmou que conseguiu guardar mais dinheiro ou gastar menos do que antes da pandemia.

Deste total, 56% apontou que o principal motivo para guardar mais ou gastar menos está associado aos riscos e incertezas trazidos pela pandemia: "Não sabe quando as coisas voltarão ao normal; Reduziu gastos por precaução; Tem medo de perder sua renda; ou Tem medo de perder seu emprego", foram as respostas.

Já 42% afirmou que não teve como gastar por conta da quarentena/ isolamento social. Segundo a CNI, esse percentual aumenta conforme a renda e escolaridade do entrevistado, alcançando 57% entre aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos e 48% daqueles que tem ensino superior.

O percentual da população que conseguiram guardar mais dinheiro ou gastar menos aumenta de acordo com o grau de instrução e renda dos entrevistados. Passa de 19% entre aqueles que cursaram até a 4ª série do fundamental para 43% entre os de ensino superior. E aumenta de 23% entre aqueles com renda familiar inferior a um salário mínimo para 47% entre os de renda familiar superior a cinco salários.

Consumo

O levantamento mostrou ainda que diante do cenário de crise e incerteza, 35% das pessoas pretendem reduzir o nível de consumo de bens e serviços em 2021 na comparação com o período pré-pandemia.

Para 25% dos que manifestaram o desejo de reduzir o consumo no próximo ano a explicação é que de que "consegui economizar durante a pandemia e quero continuar economizando".

Praticamente empatado no primeiro lugar, com 24% de assinalações, está a afirmação "pretendo mudar certos hábitos depois da pandemia".

Com percentual próximo, 21%, foi apontada a preocupação com a renda individual ou da família: "Minha renda ou de minha família caiu/ deve cair". Outros 14% afirmaram ainda que "reduzi o consumo durante a pandemia e não senti falta".

Limpeza e higiene

O levantamento da CNI mostrou também que mais da metade dos brasileiros aumentou o consumo de produtos de limpeza (55% dos entrevistados) e de produto de higiene pessoal (51%).

No outro extremo, 48% da população afirmou que reduziu o consumo de roupas, bolsas, acessórios e calçados, 46% reduziu o consumo de móveis e artigos de decoração e 45% reduziu o consumo de artigos esportivos.

Auxílio emergencial

O estudo também traça um panorama do auxílio emergencial. Dos entrevistados, 42% se cadastraram e conseguiram receber o auxílio emergencial do governo federal, enquanto 11% fizeram o cadastro, mas não receberam o auxílio.

Outros 17% afirmaram que não se cadastraram porque não precisavam do auxílio e 30% porque não se encaixavam nas condições exigidas.

Entre os que receberam o dinheiro, 17% afirmaram que sua renda aumentou ou aumentou muito no período.

De acordo com os dados da CNI, a maior parte da população (49%) usou o auxílio emergencial para comprar alimentos, roupas, produtos de higiene, limpeza ou algum outro tipo de bem de consumo. Outros 30% pagaram contas de água, energia elétrica ou gás. Já 18% afirmaram que usaram o dinheiro para pagar dívidas. Apenas 2% guardaram o dinheiro do auxílio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.