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Carla Araújo

Fecomércio-RJ defende volta do auxílio e teme colapso econômico em 2021

19.jun.2020 - Movimentação no Mercadão de Madureira, centro de comércio popular, no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro - Dikran Junior/AGIF
19.jun.2020 - Movimentação no Mercadão de Madureira, centro de comércio popular, no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro Imagem: Dikran Junior/AGIF
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

01/02/2021 04h00

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio-RJ, em janeiro, apontou que um terço dos empresários do estado acredita que a situação vai piorar com o fim do auxílio emergencial. Para o presidente da Fecomércio-RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, é fundamental que passada a eleição do Congresso o tema volte a ser debatido e que uma solução seja encontrada.

"Espero que no minuto seguinte voltemos a tratar de um pacote econômico para salvar 2021", disse em entrevista à coluna. "Quando pedimos a volta desse benefício, não é uma reclamação abstrata. Os números mostram o impacto dessa medida. A decisão será do governo e do Congresso".

Segundo ele, o auxílio emergencial é fundamental para o comércio. "Sem o auxílio, como mostrou uma pesquisa recente do Datafolha, quase 70% das pessoas beneficiadas não encontraram uma outra fonte de renda. Ou seja, sem ele o horizonte é de uma forte depressão nas vendas do comércio, o que impacta os demais setores", diz.

Na visão de Queiroz Junior, é fundamental que o governo comece a tirar do papel novas medidas econômicas, sob o risco de um agravamento da situação econômica ainda pior do que 2020.

"O Brasil corre o sério risco de entrar em colapso econômico em 2021 se o governo demorar e não tomar medidas como tomou no ano passado. As pessoas e as empresas não podem ficar à deriva", diz.

O executivo afirma que, apesar de um segundo semestre de 2020 com sinais de recuperação, a situação neste início de ano para o setor está "tão ou mais dura do que no auge de 2020".

"Precisamos agir e retomar ações que serviram para atenuar o impacto socioeconômico, sob risco de crescente quebra de companhias e desemprego, com perda de receita pelas famílias. Contrariando o prognóstico oficial, a epidemia não está no finalzinho e gerou danos crônicos aos setores produtivos. Existe uma séria chance de 2021 ser um ano de uma crise sem precedentes até para os nossos padrões, seja em razão da pandemia, seja pela miséria de uma pane social", afirma.

Além do retorno do auxílio, o executivo defende a volta do programa de suspensão de contratos de trabalho e a redução de jornada. "Isso impediu uma massa de desempregados bem maior. Se algo deu certo na primeira fase do combate à Covid-19, essa medida deve ser mantida", afirma.

Cronograma da vacina

Na visão do presidente da Fecomércio-RJ, a vacinação é o que existe de mais concreto em termos de gerar a segurança necessária para as pessoas voltarem a circular e consequentemente consumir mais.

"Creio na retomada econômica em "V", que teremos, após a depressão, uma forte recuperação em razão de uma enorme demanda represada e de investimentos que estavam engatilhados e ficaram para depois. Mas isso só acontecerá quando tivermos toda a população vacinada e retomando as atividades", diz.

Com o cronograma incerto em relação às vacinas, Queiroz Junior diz que o comércio não pode esperar por esse cenário e é preciso de medidas para "assegurar que em 2021 não nos afundemos mais". "Para isso, é fundamental que nos vacinemos logo e, ao mesmo tempo, as medidas econômicas sejam um paliativo para evitar o colapso social", afirma.

Restrições nos estados

Em relação ao fato de que alguns estados estão adotando medidas de maior restrição de circulação e fechamento do comércio, o executivo diz que é preciso respeitar a decisão das autoridades locais, mas argumentou que o comércio não é o culpado pelo retorno de elevados números de mortes por conta do coronavírus.

"Respeitamos as restrições que as autoridades locais determinam. Elas certamente têm o suporte de pessoas qualificadas para fazer essas avaliações", diz. "Mas é preciso ser claro. No Rio, por exemplo, o comércio reabriu em junho, e não houve aumento de casos nos meses seguintes. Isso ocorreu, sim, como no país inteiro, agora no fim do ano e em janeiro. Então, não pode ser atribuída essa responsabilidade ao comerciante", completa.

Sem apoio ao impeachment

Queiroz Junior se diz contra um possível impeachment do presidente Jair Bolsonaro e diz que uma nova ruptura na política trará danos à economia e, obviamente, ao comércio.

"A instabilidade é péssima para o país e para a economia. Qual seria a linha econômica a ser adotada pelo novo governo? Como seria a postura do Congresso? E as reformas? Todas essas dúvidas mais atrapalham do que ajudam e o resultado é que ninguém fará investimentos robustos sem saber qual será a política econômica desta gestão", diz.