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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Congresso quer levar fama por possível novo auxílio emergencial

Encontro entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco - Divulgação/Ministério da Economia
Encontro entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco Imagem: Divulgação/Ministério da Economia
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Luciana Amaral, de Brasília

11/02/2021 16h56Atualizada em 11/02/2021 18h47

Cientes de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi um dos que mais se beneficiou ao aprovar o auxílio emergencial no ano passado, os parlamentares agora pressionam por uma solução para uma nova rodada do benefício. Sob nova gestão, deputados e senadores querem deixar sua marca para ter o reconhecimento da "paternidade do novo auxílio".

Já há consenso, até mesmo entre a base governista e a oposição, de que é preciso retomar uma forma de auxílio para a população mais carente em meio à pandemia. Além da ajuda aos mais vulneráveis, pois muitos estão passando fome ou sem necessidades básicas, parlamentares fazem os cálculos políticos visando as eleições de 2022.

Na retrospectiva da primeira rodada do auxílio, lembram que o governo propôs um valor inicial de R$ 200. Mas, o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já buscando protagonismo, aprovou o aumento para R$ 500. Para não perder o bônus da medida, Bolsonaro ordenou à equipe econômica que desse um jeito de pagar R$ 600. Assim ficou até o final do ano.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já explicou diversas vezes ao presidente o tamanho do custo de um novo auxílio. Agora, tem destacado a importância de uma triagem maior para que ele seja efetivamente pago a quem precisa. Ainda assim, Guedes tem a consciência de que barrar a iniciativa pode ter um preço político caro ao presidente, candidato declarado à reeleição.

A dificuldade está em como achar uma solução, especialmente porque o Orçamento de 2021 ainda não foi aprovado e o país vive um aumento de endividamento. Além disso, Guedes tem alertado de que será preciso "ter sacrifícios" caso o botão do auxílio emergencial seja acionado novamente.

Solução conjunta e pressão

Bolsonaro tem feito declarações contraditórias em relação ao auxílio. Ontem (10), em Brasília, mostrou resistência à medida e disse que um novo auxílio representará um "endividamento" para o governo. Nesta quinta-feira (11), em agenda no Maranhão, Bolsonaro já admitiu que poderá conceder uma nova rodada do benefício "a partir de março, por três ou quatro meses".

"Isso está sendo acertado, com o Executivo, e com o Parlamento também, porque temos que ter responsabilidade fiscal", completou o presidente.

Guedes tem dito que a responsabilidade fiscal também tem que partir dos deputados e a solução tem que ser construída em conjunto.

Além da aprovação de outras reformas, o ministro tem reforçado que será preciso uma nova versão de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de Guerra para conceder mais três parcelas de R$ 200 do auxílio emergencial aos informais. No Congresso, já há pressão para um valor maior: de R$ 300.

Na economia, a tentativa ainda é para uma parcela menor. Independente do valor a ser definido, o ministro pede que o texto da nova PEC traga uma cláusula de calamidade pública, o que daria permissão à abertura de créditos extraordinários. E avisa: ao declarar o estado de calamidade haverá também congelamento de salários e outros sacrifícios.

À reportagem, o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), admitiu que o governo não deverá resolver nada sozinho, mas, sim, somente pelas discussões com os parlamentares. Um ponto tido como fundamental pelo governo, porém, é que não se fure o teto de gastos.

Assim como líderes, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), declarou que a "situação está ficando crítica na população" e cobrou Paulo Guedes para uma solução.

Tanto Lira quanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), consideram a questão do auxílio como prioridade. Ao contrário do que costuma aventar Guedes nos bastidores, Pacheco avisou que o ideal é nada de imposto novo.

O presidente do Senado também acredita ser melhor tratar de eventuais contrapartidas ao novo formato de auxílio depois que este já for encaminhado. Senão, as conversas podem travar mais ainda. O governo deve insistir, até quando puder com os parlamentares, ao menos em público, ser necessário ter as condições mínimas de sustentação econômica para cumprir o que se diz. Auxiliares de Guedes afirmam ainda que não há solução mágica. "Não tem como tirar uma solução da cartola", dizem.