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Carla Araújo

NOTÍCIA

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General assume Petrobras; também seguirá regra de um manda e outro obedece?

26.set.2018 - O general Joaquim Silva e Luna é o primeiro ministro da Defesa militar - Kleyton Amorim/UOL
26.set.2018 - O general Joaquim Silva e Luna é o primeiro ministro da Defesa militar Imagem: Kleyton Amorim/UOL
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

19/02/2021 20h18

Foi o governo que classificou oficialmente como "missão" a nova função do general Joaquim Silva e Luna no governo do presidente Jair Bolsonaro. Em nota divulgada na noite desta sexta-feira (19), o Ministério de Minas e Energia, comandado pelo Almirante Bento Albuquerque, confirmou o que o presidente vinha ameaçando a fazer desde mais um aumento de preço dos combustíveis: demitir Roberto Castello Branco.

"O governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova missão, como Conselheiro de Administração e Presidente da Petrobras, após o encerramento do Ciclo, superior a dois anos, do atual Presidente, Senhor Roberto Castello Branco", diz a curta nota.

Silva e Luna não aumenta diretamente o número de militares no governo, pois está atualmente no comando da Itaipu. A incógnita agora é saber se o general - que já foi também Ministro da Defesa de Michel Temer - vai atuar com transparência e governança que se exige de uma estatal do tamanho da Petrobras.

Não é preciso ir longe para lembrar que o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, tem sua atuação no combate da pandemia sob investigação. As decisões são só de Pazuello? Não, ele é o ministro da frase que simboliza o perfil que Bolsonaro busca para compor o seu governo: "um manda e outro obedece".

Mercado sem coração

As decisões de Bolsonaro, sem aval ou maiores informações da equipe do ministro Paulo Guedes, não ajudam a condução da economia brasileira em meio à crise.

O presidente, no entanto, já mostrou que seguirá - agora com seu novo general - tomando as decisões que acredita serem corretas independente das reações que elas possam causar.

Com o mercado, o presidente não parece se importar. Afinal, disse nessa semana que eles precisavam "ter coração". "O pessoal que vai em cima do lucro não tem coração", disse.

Intervir sem intervir?

Hoje as ações da Petrobras sofreram uma derrocada. A estatal perdeu R$ 28,2 bilhões em valor de mercado. O presidente colaborou para a queda das ações reiterando declarações contraditórias de interferência na estatal.

"Anuncio que teremos mudança sim na Petrobras. Jamais vamos interferir nesta grande empresa e na sua política de preços, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes", discursou o presidente nesta sexta-feira em visita-relâmpago a Pernambuco.

Bolsonaro desdenhou do mercado financeiro. Virou as costas. Minutos antes da nota oficial, fez o anúncio de sua escolha com uma postagem de Facebook. Nenhuma palavra oficial do Palácio do Planalto até agora.

Cadê o Guedes?

O mesmo silêncio foi percebido ao longo do dia no Ministério da Economia. O ministro Paulo Guedes, padrinho de Castello Branco na Petrobras, nada falou. Também viu o mercado derreter as ações da estatal sem explicar quais seriam as compensações adotadas pelo governo para colocar em prática a promessa do presidente de redução de impostos.

O ministro optou pelo silêncio. Mais de 24 horas depois do anúncio de Bolsonaro de zerar o imposto federal do Diesel, nenhuma palavra do Posto-Ipiranga.

E os caminhoneiros?

A irritação do presidente teve ainda como pano de fundo o receio de perder definitivamente o apoio de uma importante categoria, que pode ajudar seu projeto de reeleição: os caminhoneiros.

"Onde está a palavra do Governo Federal que na pessoa do Presidente da República sinalizou a diminuição dos impostos federais dos combustíveis e vamos para o quarto aumento consecutivo em menos de trinta dias se mantendo inerte e nada fez de concreto até o presente momento?", cobrou o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, em nota, divulgada na última quinta (18),

A cobrança veio minutos antes da live, em que Bolsonaro anunciou que iria zerar por dois meses o imposto federal sobre o Diesel.