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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com lockdown e demora na vacinação, governo admite PIB menor em 2021

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, durante evento no Palácio do Planalto - ADRIANO MACHADO
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, durante evento no Palácio do Planalto Imagem: ADRIANO MACHADO
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Antonio Temóteo

03/03/2021 13h59

A recuperação da economia brasileira, alardeada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como "em V," ou seja, que após uma queda brusca também reagiria crescendo rapidamente, já faz parte de uma expectativa do passado.

Dentro do Ministério da Economia já há certo consenso de que a recuperação que poderia acontecer nesse início de ano já está comprometida com a pandemia do coronavírus em alta. Agora, essa retomada pode, no máximo, se tornar um "W", com novas quedas e retomadas em velocidade, mas não necessariamente com sustentação, na avaliação de fontes da equipe econômica ouvidas pelo UOL.

Ontem, 2, Guedes afirmou que acreditava que a queda do PIB deveria ser abaixo de 4% em 2020. Já hoje, o resultado divulgado pelo IBGE foi de uma queda de 4,1% no PIB, maior queda desde 1996.

Segundo técnicos da pasta, a decisão de diversos estados em restringir as atividades (o chamado lockdown) certamente reduzirá o nível de atividade econômica. O tempo de duração das medidas restritivas é que definirá o tamanho da queda do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro semestre, argumentam.

"A recuperação em V pode se tornar uma recuperação em W. Tudo vai depender do tempo de fechamento das cidades. A recuperação da economia brasileira depende do nível de vacinação. Quanto mais rápido vacinarmos a população, mais rápido será a recuperação. E claro, precisamos de reformas", disso um técnico na pasta.

Guedes também tem batido na tecla de que o ritmo da vacinação será crucial para que a economia possa voltar a crescer. Em reunião no último domingo, no Palácio da Alvorada, com o presidente Jair Bolsonaro e outros ministros, Guedes ouviu promessas do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de que entre março e maio o país pode dar um salto na vacinação.

Fim do silêncio

Depois de optar pelo silêncio durante toda a crise que envolveu a troca de comando na Petrobras, Guedes gravou uma entrevista com o podcast Primocast, que foi ao ar ontem (2), e admitiu que nos próximos seis meses a prioridade do governo deve ser a vacinação em massa.

" No curto prazo, de hoje para daqui a 6 meses, vacina, vacina e vacina. Vacinação em massa", disse. "Para a recuperação ser sustentável, vamos dar um pouco de auxílio emergencial para quem não se reequilibrou. E, por outro lado, vamos acelerar e aprofundar as reformas - se não, a economia capota", afirmou o ministro.

Batalhas no Congresso

Guedes ainda luta para aprovar a PEC Emergencial, que permitirá a concessão do auxílio emergencial, com medidas de contrapartida para não ampliar ainda mais o rombo fiscal. Apesar disso, a articulação do governo já admite que o mais importante é conseguir aprovar a PEC o quanto antes nas duas Casas Legislativas para garantir o pagamento das parcelas no novo auxílio comecem ainda no mês de março.

A votação no Senado está marcada para começar nesta quarta-feira (3). Segundo fontes do governo, a promessa do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, é aprovar a medida em dois turnos ainda nesta semana. Depois disso, o Palácio do Planalto quer acelerar a votação da Câmara e a edição as medidas jurídicas que permitirão o pagamento do benefício.

Cardápio de medidas

Os técnicos do governo ainda aguardam a divulgação dos dados do comércio, da indústria e do setor de serviços para dimensionar o impacto da pandemia, mas admitem reservadamente que devem reduzir as expectativas de crescimento para a economia em 2021.

Internamente, o governo não descarta ressuscitar o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) para reduzir o salário e a jornada dos trabalhadores, com uma compensação financeira.

Além disso, está em estudo adiar o pagamento de contribuições, como a feita ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).