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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ministros presentes em reunião sobre Petrobras negam ter vazado informação

Jair Bolsonaro (sem partido) participa da cerimônia de hasteamento da bandeira nacional no Palácio do Alvorada ao lado de ministros - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Jair Bolsonaro (sem partido) participa da cerimônia de hasteamento da bandeira nacional no Palácio do Alvorada ao lado de ministros Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

03/03/2021 11h29

Lucro de R$ 18 milhões? Resultado de suposto vazamento de informação privilegiada por parte do governo? "De jeito nenhum", disseram os ministros presentes em uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro que selou a saída de Roberto Castello Branco da Petrobras. Em conversa com a coluna, três dos seis ministros rechaçaram a suspeita de que o núcleo duro do governo possa ter vazado informações para que alguém do mercado financeiro ganhasse dinheiro.

Um dos ministros mais prestigiados do presidente, Tarcísio de Freitas afirmou à coluna que "é chance zero ter saído (alguma informação) de alguns dos participantes da reunião".

O ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, também negou a possibilidade e afirmou "ter certeza de que não houve vazamento por parte dos participantes".

Ao ser questionado pela coluna, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, reagiu com indignação e disse ser "impensável" que qualquer informação privilegiada possa ter saído da reunião entre integrantes da confiança do presidente.

"Isso tem que ser apurado, mas não saiu de nenhum de nós. Se houve alguma irregularidade a CVM e outros órgãos competentes têm que apurar e punir os culpados", afirmou Ramos à coluna.

Movimentação suspeita

Reportagem da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, mostrou que antes do anúncio oficial da troca do comando da Petrobras a Bolsa de Valores registrou movimentações atípicas, com lucros suspeitos.

De acordo com a reportagem, um pouco antes da operação suspeita, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com os ministros Braga Netto (Casa Civil) Paulo Guedes (Economia), Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

Nesta reunião, o presidente teria informado e selado a demissão de Roberto Castello Branco, que foi anunciada horas depois pelas redes sociais. A decisão abalou as ações da companhia na Bolsa.

No fim da semana passada, após o sobe e desce das ações, o próprio presidente anunciou que "muitos espertalhões ganharam dinheiro, muita gente mais inocente perdeu dinheiro".

Lucro "sem coração"

Desde que o presidente decidiu fazer a mudança no comando da Petrobras, a ordem no Palácio do Planalto foi minimizar as possíveis perdas de valor de mercado da empresa.

A avaliação de interlocutores do presidente na ocasião era de que a situação era pontual e reversível. Bolsonaro tem tomado decisões econômicas polêmicas - como a redução impostos do Diesel - e pedido que o mercado vise menos o lucro e tenha "mais coração".

Segundo a reportagem do jornal O Globo, o lucro obtido com a operação suspeita pode ter chegado a R$ 18 milhões.

"Ninguém vai conseguir esconder R$ 18 milhões. Isso precisa ser explicado e de forma séria. Não há sentido em que haja qualquer desconfiança em relação a nenhum ministro de estado", disse Ramos.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) deve investigar a operação, mas os ministros também defendem atuação policial para elucidar do caso, já que a prática é considerada crime. A ordem no Palácio do Planalto é "tocar a vida" e deixar para trás crises assim.

"A CVM vai investigar e elucidar os fatos. Nós não estamos preocupados com esse assunto", disse um ministro.