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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com futuro incerto no Exército, Pazuello pode ficar em "lista de espera"

O general Eduardo Pazuello - Valter Campanato/Agência Brasil
O general Eduardo Pazuello Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

16/03/2021 01h00

O futuro do general Eduardo Pazuello no Exército ainda não está definido e é possível que o ministro demissionário da Saúde tenha que aguardar uma "lista de espera" para definir seu novo posto.

Assim que a exoneração de Pazuello for publicada no Diário Oficial da União, o motivo de sua licença no Exército deixa de existir e não há necessidade de documento formal para que ele passe a ser incorporado novamente.

Apesar disso, por se tratar de um oficial-general, sua recolocação é uma decisão que cabe ao comandante do Exército, atualmente o general Edson Pujol.

Um general da ativa ouvido pela coluna explicou que no momento não há nenhum cargo vago. "Estão todos ocupados", afirmou. "No Exército, caso ele retorne, teria que ficar adido aguardando a abertura de uma vaga oportunamente, com alguém sendo transferido para a reserva", disse.

No fim do mês de março, tradicionalmente, o presidente faz as indicações de promoções de oficiais-generais, mas o Alto Comando já se reuniu para essa promoção, ou seja, os nomes já estariam definidos.

A maior aposta é que ele fique adido até julho e, caso haja uma nova promoção de general, Pazuello ocupe essa vaga e um general de brigada aguarde outra promoção.

Outro colega de patente do ministro diz que Pazuello poderia retornar ao Exército e ocupar um cargo na Secretaria de Economia e Finanças.

Outra possibilidade para que Pazuello não fique "à deriva", já que é ordem do presidente Bolsonaro tentar fazer algum tipo de agrado ao seu "soldado", é que o general tenha algum cargo no Ministério da Defesa.

No caso da pasta, por ela ser um espaço de lotação de oficiais-generais das três Forças Armadas, a chance de um espaço para o em breve ex-ministro é mais fácil.

Haveria como opção ainda, caso ele optasse em ir para reserva, de receber uma comissão no exterior, diz um militar de alta patente.

16.dez.20 - Eduardo Pazuello e Bolsonaro, em evento sobre coronavírus  - Ueslei Marcelino/Reuters - Ueslei Marcelino/Reuters
16.dez.20 - Eduardo Pazuello e Bolsonaro, em evento sobre coronavírus
Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Promoção prometida?

As especulações para que Pazuello ganhe uma estrela a mais ainda são tratadas por auxiliares do presidente como algo muito difícil de acontecer.

Uma eventual mudança na norma vigente para permitir uma condecoração a mais a Pazuello geraria um desgaste enorme com a cúpula das Forças Armadas, com o Exército principalmente. Generais ouvidos pela coluna consideraram "esdrúxula" essa possibilidade.

Sem contar que poderia gerar um efeito cascata em promoções de outros generais na mesma situação, o que teria um impacto orçamentário na folha de pagamentos das Forças.

Fontes próximas a Pazuello dizem que ele ainda não tomou uma decisão se vai retornar à caserna ou pedir para ir para reserva. Isso porque, apesar de negar problemas de saúde, o ministro vinha alegando cansaço com o trabalho nos últimos tempos e sofrido crises de hipertensão.

Além disso, o ministro já avisou que quer participar efetivamente da transição dos assuntos da pasta para seu sucessor: o médico Marcelo Queiroga.

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