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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Escolha de Bolsonaro para presidência no BB desagrada executivos veteranos

Fausto de Andrade Ribeiro, indicado à presidência do Banco do Brasil - Reprodução/Linkedin
Fausto de Andrade Ribeiro, indicado à presidência do Banco do Brasil Imagem: Reprodução/Linkedin
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasíllia

01/04/2021 14h51

Vice-presidentes do Banco do Brasil estão "desconfortáveis" com a mudança na presidência do banco, segundo descreveu um dos executivos com quem o UOL conversou. Mas ele negou a possibilidade de um pedido de demissão coletiva.

No entanto, setores no governo avaliam que os movimentos do presidente Jair Bolsonaro, de alterações na gestão de ministérios e no comando de empresas públicas, causam reações internas.

Foi o que aconteceu no comando da Petrobras e do Ministério da Defesa. O Banco do Brasil é mais um nessa lista.

No dia 18 de março, o então presidente do BB, André Guilherme Brandão, entregou pedido de demissão do cargo a Bolsonaro e ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Brandão e Bolsonaro, segundo auxiliares do governo, nunca tiveram "química". Bolsonaro não gostava de Brandão, e a mesma antipatia existia por parte do executivo do BB. Ou seja, sua saída era desejo do presidente havia tempos.

Outros executivos teriam preferência

Para o seu lugar, Bolsonaro indicou o administrador Fausto de Andrade Ribeiro, que estava como diretor-presidente da BB Consórcios, subsidiária do BB.

Segundo fontes do governo, o nome de Fausto de Andrade partiu direto do Palácio do Planalto. Brandão havia sido indicado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com aval de Guedes.

Relatos que têm sido feitos a membros do governo são de que houve uma "quebra de hierarquia" no banco e que outros nomes estariam "na fila de antecedência" para chegar ao comando do BB. Isso é que está gerando o "desconforto" mencionado por um dos vice-presidentes.

Guedes já conversou com o novo executivo, mas tem dito a aliados que quer manter distância da estatal para se concentrar em outros temas do governo.

O ministro sempre foi a favor da privatização da estatal, mas já sabe que perdeu essa batalha para o presidente Bolsonaro. Mesmo assim, Guedes costuma dizer que estatais com ações listadas na Bolsa são uma farsa, ou "não é nem tatu, nem cobra", como ele chegou a dizer na reunião ministerial que ficou pública por decisão do STF.

Candidatos naturais?

A avaliação que estaria sendo feita por alguns dos executivos do banco é que na lista de vice-presidentes haveria outros nomes com mais peso para assumir a cadeira.

Compõem a vice-presidência (VP) do BB: Carlos José da Costa André (VP de gestão Financeira e de Relações com Investidores); Carlos Motta dos Santos (VP de Negócios de Varejo); Carlos Renato Bonetti (VP de Controles Internos e Gestão de Riscos); Gustavo de Souza Fosse (VP de Desenvolvimento de Negócios e Tecnologia); João Pinto Rabelo Júnior (VP de Agronegócios e Governo); Mauro Ribeiro Neto (VP Corporativo); e Bernardo de Azevedo Silva Rothe (VP de Negócios de Atacado).

A maior parte dos executivos está no Banco do Brasil há mais de 25 anos. Apesar de ser também veterano, Fausto Ribeiro não seria um candidato natural ao posto, porque ainda precisaria de mais experiência em outros cargos no banco para ocupar a cadeira.

Nome aprovado com ressalvas

O nome de Fausto de Andrade Ribeiro foi aprovado em reunião na última terça-feira (30) pelo Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade (Corem), mas durante os votos da decisão houve críticas de que a avaliação deveria levar em conta também "requisitos subjetivos".

Além disso, há críticas de que o Conselho de Administração do banco foi deixado de lado na seleção e aprovação do principal executivo da companhia, o que torna o colegiado "um mero homologador".

Na avaliação de um interlocutor direto do presidente, se houvesse saída de alguns dos sete vice-presidentes, isso nem deveria ser considerado uma crise, porque já se sabe que é o jeito que o governo funciona.