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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Senador do RN lamenta que presos não morreram de covid: Não gosto de ladrão

9.mai.2019 - Capitão Styvenson Valentim (Podemos-RN), senador mais votado do RN nas eleições de 2018 - Diego Bressani/UOL
9.mai.2019 - Capitão Styvenson Valentim (Podemos-RN), senador mais votado do RN nas eleições de 2018 Imagem: Diego Bressani/UOL
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

06/05/2021 17h35Atualizada em 06/05/2021 20h16

O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), conhecido como capitão Styvenson, lamentou, em uma entrevista na rádio 96 FM Natal, que o estado não registre nenhuma morte por conta do coronavírus em presídios.

"Pois é, é lamentável, né? É pra morrer tudinho", disse o senador, que é policial militar.

"Eu não gosto de vagabundo não. Eu não gosto de ladrão, não gosto de vagabundo. Eu vou dizer que gosto? Vou mentir aqui pra agradar família de vagabundo?", completou o senador, que ainda falou que "vagabundo pra mim tem que se pendurado".

O senador justificou o fato de desejar que os presos morressem porque, na sua visão, eles fazem mal a sociedade.

"A pena não é compatível ao mal que ele faz a sociedade", disse.

Procurado para comentar as declarações, o senador não quis fazer comentários sobre o assunto. A coluna também procurou o Ministério da Justiça para confirmar se realmente não há registro de óbitos no estado.

Defensor da castração

O senador é autor de um projeto de lei que prevê a castração química voluntária para condenados reincidentes por crimes de estupro e importunação sexual. A matéria está na (CCJ) Comissão de Constituição e Justiça aguardando designação de relator.

Pela proposta apresentada, o condenado que aceitar esse tratamento receberia a liberdade condicional.

Na avaliação de advogados e especialistas na área o projeto é inconstitucional e desrespeita os direitos humanos.

Força no estado

Capitão Styvenson abandonou a PM e elegeu-se o senador mais votado do Rio Grande do Norte em 2018, com 745.827 votos.

Apesar de ser eleito pela Rede, após conversas com o senador Álvaro Dias, mudou para o Podemos.

Na disputa em 2018, o capitão desbancou nomes tradicionais e fortes da política no estado, como o ex-ministro e ex-governador Garibaldi Alves Filho.

Há quem aposte que ele pode, inclusive, se lançar candidato ao governo do Estado no ano que vem.

Situação real e preocupante

O Brasil tem a terceira maior população prisional do mundo com mais de 755 mil homens e mulheres presos, sendo que cerca de 30% deles estão em regime provisório, ou seja, não tiveram uma sentença definitiva, segundo Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Logo que começou a pandemia do coronavírus, o órgão afirmou que seria uma missão impossível seguir as regras básicas para evitar a transmissão do novo coronavírus nos presídios brasileiros.

De acordo com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), até o fim do ano passado, 41.971 presos foram infectados por covid-19 em todo o Brasil.

Ao todo, 129 detentos morreram no país em decorrência da contaminação pelo vírus até o final do ano passado, ainda segundo o CNJ.

No estado de São Paulo, segundo dados da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), obtidos pelo UOL via LAI (Lei de Acesso à Informação), desde o início da pandemia, em março, até 31 de dezembro de 2020, 5% do total de presos do estado (216 mil) foram contaminados pelo novo coronavírus

Neste período, foram registradas pelo menos 35 mortes.