PUBLICIDADE
IPCA
+0,53 Jun.2021
Topo

Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Após ameaça de denúncia por faltas, Guedes vai a audiência na Câmara

Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante conversa com a imprensa, na sede do Ministério da Economia - Edu Andrade/Ministério da Economia
Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante conversa com a imprensa, na sede do Ministério da Economia Imagem: Edu Andrade/Ministério da Economia
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

07/07/2021 14h21

Depois de a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados ter aprovado ontem (6) um envio de ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, seja denunciado por crime de responsabilidade por faltar à convocação da comissão, o titular da Economia compareceu presencialmente hoje na audiência.

Guedes, que passou a manhã de quarta-feira ouvindo os deputados e se explicando, pouco falou sobre as distorções na Previdência dos militares, que era a pauta originalmente tema da discussão. Em sua exposição inicial, o ministro acabou discorrendo principalmente sobre a atuação do governo na pandemia.

Guedes também fez uma defesa do presidente Jair Bolsonaro sobre supostos atos de corrupção e disse que não presenciou atos ilegais no governo. "Você não pode descredenciar a instituição da Presidência, batendo todo dia [dizendo] que tudo está errado e negando qualquer mérito. Tem dois anos sem nenhum escândalo de corrupção, e todo dia tem 'a cunhada falou', 'o primo disse', 'não sei quem falou isso'. Pô, então achem, provem e removam se houver. Mas você não pode descredenciar a Presidência", disse o ministro.

Orientação jurídica

Também no início da sua participação, Guedes tentou justificar sua ausência na comissão, disse que havia sido orientado juridicamente e que não estaria cometendo crime ao faltar nas convocações anteriores.

O presidente da comissão, Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) disse que o ministro foi "mal orientado juridicamente por sua assessoria". À coluna, o deputado afirmou que o ofício deve ser enviado somente hoje à PGR, mesmo após o ministro ter comparecido, já que foi deliberado e aprovado pela comissão.

Ontem, depois que a Comissão decidiu enviar o ofício à PGR, o Ministério da Economia informou, em nota, que havia comunicado à Comissão que Guedes não poderia estar presente à sessão anterior, pois estaria participando de sessão virtual do Tribunal de Contas da União (TCU) realizada no mesmo horário.

Segundo a pasta, no mesmo ofício em que foi informada a impossibilidade da presença de Guedes, o ministro se colocou à disposição para participar da sessão da Comissão na data de hoje.

"Inexiste, portanto, qualquer possibilidade de haver crime de responsabilidade no caso, porque a ausência do ministro estava devida e previamente justificada", diz o ministério.