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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Ministro da Defesa procurou Pacheco para fazer desagravo aos senadores

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

08/07/2021 13h08

Após a repercussão da nota divulgada ontem pelas Forças Armadas, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, procurou alguns senadores, incluindo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para esclarecer o teor das críticas feita ao presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz.

O objetivo da ligação, feita na manhã desta quinta-feira (8), foi esclarecer que não houve a intenção de um ataque generalizado ao Senado. Na conversa, Braga Netto disse que a nota deixava claro que a crítica era direcionada "à fala do presidente da CPI", um cargo temporário, e não ao senador em questão e muito menos ao Senado.

Braga Netto disse ainda que era hora de "olhar para frente, sem remoer o assunto".

O presidente do Senado comentou a ligação e afirmou que ambos ressaltaram a "importância do diálogo e do respeito mútuo entre as instituições, base do Estado Democrático Direito, que não permite retrocessos".

"Deixei claro o nosso reconhecimento aos valores das Forças Armadas, inclusive éticos e morais, e afirmei, também, que a independência e as prerrogativas de parlamentares são os principais valores do Legislativo. O episódio de ontem, fruto de um mal-entendido sobre a fala do colega senador Omar Aziz, presidente da CPI, já foi suficientemente esclarecido e o assunto está encerrado", disse em nota,

O ministro da Defesa, segundo algumas fontes incluindo parlamentares ouvidos pela coluna, reiterou o incômodo das Forças Armadas com a fala de Omar Aziz e defendeu que o episódio de ontem teria sido pontual e em função da generalização.

Entre alguns militares houve indignação com o termo "lado podre" das Forças Armadas.

Antes de divulgar a nota, o ministro da Defesa ouviu o presidente Jair Bolsonaro, mas também buscou consenso entre pares para legitimar a publicação da nota.

Crítica foi ao presidente da CPI

Braga Netto disse a Pacheco que o presidente da CPI, pelo cargo que ocupa, não poderia fazer pré-julgamentos com base em suposições e declarações. E que deveria ser observado o devido processo legal e a ampla defesa.

Além disso, militares da ativa e da reserva disseram que Omar Aziz passou o dia inteiro sob os holofotes e que tem usado o palco da CPI para se promover.

Um general da reserva, que disse ter visto como importante a nota dos militares, afirmou que caberia, inclusive, por parte do Ministério da Defesa um pedido formal de retratação ao senador Omar Aziz.

Militares sabem que não estão acima da lei e que servidores estão sendo investigados, mas dizem que as críticas feitas por Aziz deram um tom de que de alguma forma eles estariam compactuando com desvios de conduta. Agora, querem virar a página.