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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Em debate sobre 2ª instância, Maia diz que Moro tentou mandar na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro Sergio Moro (Justiça), no dia da entrega do projeto anticrime ao Congresso   - Pedro Ladeira - 19.fev.19/Folhapress
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro Sergio Moro (Justiça), no dia da entrega do projeto anticrime ao Congresso Imagem: Pedro Ladeira - 19.fev.19/Folhapress
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

16/07/2021 12h43

Um grupo de Whatsapp virou palco de um debate acalorado entre o ex-juiz Sergio Moro e o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente da Câmara. A discussão teve como pano de fundo a prisão em segunda instância e gerou troca de alfinetadas. Enquanto o deputado disse que o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro tentou mandar na Câmara sem mandato, Moro afirmou que Maia não quis votar a volta da execução provisória da pena.

As trocas de mensagens foram registradas no grupo "Parlatório SA", que reúne políticos, economistas, empresários, advogados, que costumam trocar informações e avaliações sobre os cenários políticos e econômicos.

A coluna teve acesso às postagens. Logo após um interlocutor abordar a urgência de uma reforma eleitoral, Moro emendou a discussão cobrando a necessidade de o Congresso discutir o fim do foro privilegiado, que garante, por exemplo, a deputados, senadores e governadores serem investigados em tribunais superiores, e a autorização para prisão após condenação em segunda instância.

"Fim do foro privilegiado e volta da execução em segunda instância. Congresso precisaria votar isso. Presidente atual [ Arthur Lira] e anteriores não pautaram", disparou.

Rodrigo Maia respondeu na sequência. "Moto [sic]. Não vou fazer este debate aqui com vc".

Moro emendou: "Não tem o que debater, eh fato".

Maia discordou: "Fato que vc tentou mandar na Câmara sem mandato. Segunda instância não avançou pela pandemia. Apenas isso".

O ex-juiz retrucou: Claro.

Maia disse que: "Foro de fato não tinha apoio, mas quem segurou foi a pressão de juízes e promotores que estão satisfeitos com a interpretação do Supremo que só resolveu foro por político".

Moro segue: "Rodrigo, mantendo em alto nível, essas matérias bastava votação, se elas são propostas por x ou y, pouco importa. Importa se são boas ou não e não foram pautadas".

"Desculpe, mas vc ficou quatro anos presidente da Câmara, não pautou porque não quis".

O deputado insistiu que a proposta não avançou por conta das restrições da pandemia. "Não é verdade. A PEC da segunda instância foi apresentada em 2020 e rapidamente criada a comissão especial. Parou com a pandemia. O foro ficou pronto pro plenário no ano de 19 e não teve apoio".

Maia voltou a dizer que a segunda instância não avançou por conta da pandemia e que o foro não tinha apoio. "Política as decisões não são individuais", escreveu Maia.

Moro voltou a rebater: "Desculpe, mas você ficou quatro anos Presidente da Câmara, não pautou porque não quis".

A coluna procurou Maia e Moro para comentarem a discussão, mas ambos não responderam.

A assessoria de imprensa do ex-juiz disse que "o Dr. Sergio não comenta" o assunto e "portanto não confirma" a troca de mensagens. Já a assessoria de imprensa do deputado afirmou que estava tentando contato com Maia e enviaria retorno.

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