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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Para senador, veto de Bolsonaro a remédio contra câncer é ilógico e absurdo

Senador Reguffe é autor do projeto e diz que já articula derrubada do veto - Roque de Sá/Agência Senado
Senador Reguffe é autor do projeto e diz que já articula derrubada do veto Imagem: Roque de Sá/Agência Senado
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

27/07/2021 15h49

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de vetar o projeto de lei que tornava obrigatória a cobertura pelos planos privados de saúde de tratamentos domiciliares de uso oral contra o câncer, na avaliação do autor do projeto, senador José Reguffe (Podemos-DF), é "absurda" e "ilógica".

"(a decisão é) Absurda porque é um projeto que beneficia milhares de pacientes com câncer no Brasil inteiro. E é muito mais confortável para esses pacientes tomar um comprimido em casa do que ter que se internar no hospital para o plano pagar a quimioterapia na veia", disse Reguffe.

Segundo o senador, a decisão é "Ilógica" porque a internação é mais cara do que o comprimido. "Sem contar os custos com possíveis infecções posteriores decorrentes dela", afirmou.

Fala distorcida a apoiadores

Apesar de o presidente ter dito a apoiadores que teria sido obrigado a vetar o projeto, pois não havia fonte de custeio, a medida, de acordo com o senador, não iria onerar os cofres públicos, já que a despesa seria arcada pelos planos privados de saúde.

Na justificativa oficial do veto, inclusive, o Palácio do Planalto afirmou que a "medida causaria impacto financeiro ao mercado de planos privados de assistência à saúde, o que resultaria no aumento do plano de saúde dos consumidores".

O governo afirmou ainda na explicação do veto, "ao considerar o alto custo dos antineoplásicos orais e a imprevisibilidade da aprovação e concessão dos registros pela ANVISA, existiria o risco do comprometimento da sustentabilidade do mercado de planos privados de assistência à saúde".

E isso, segundo o próprio governo, "teria como consequência o inevitável repasse desses custos adicionais aos consumidores, de modo a encarecer, ainda mais, os planos de saúde, além de trazer riscos à manutenção da cobertura privada aos atuais beneficiários, particularmente os mais pobres".

Ou seja, Bolsonaro não quis onerar os planos privados e também não explicou direito para seus apoiadores a razão que levou ao veto.

Veto pode ser derrubado

A proposta foi aprovada pelo Senado em junho, com 74 votos, e no mês seguinte passou pelo crivo dos deputados.

Reguffe disse que já está trabalhando para que o Congresso derrube o veto na volta do recesso.

"Vamos derrubar o veto. Já há uma grande mobilização de oncologistas e de associações de pacientes da luta contra o câncer", disse.

O projeto tornava obrigatória a cobertura pelos planos de saúde privados aos tratamentos domiciliares de uso oral contra o câncer, inclusive de medicamentos para o controle de efeitos adversos relacionados ao combate da doença.

A estimativa é que a iniciativa beneficiaria mais de 50 mil pacientes que poderiam realizar o tratamento em casa, sem necessidade de internação hospitalar.

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