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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ministro Ramos terá que explicar à Câmara ligação com Roberto Jefferson

Roberto Jefferson e Luiz Eduardo Ramos - Reprodução
Roberto Jefferson e Luiz Eduardo Ramos Imagem: Reprodução
Carla Araújo Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Carla Araújo

Do UOL, em Brasília

17/08/2021 17h27

Após o ministro da Defesa, general Braga Netto, ter participado de uma audiência conjunta de três comissões da Câmara dos Deputados, na qual negou que tenha existido ditadura e também minimizou ameaças de governo a democracia, na próxima quarta-feira (18) será a vez de os deputados ouvirem mais um ministro do presidente Jair Bolsonaro.

O atual ministro da Secretaria-Geral, Luiz Eduardo Ramos, vai à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara inicialmente explicar sobre uma reunião que teria sido convocada por ele quando era ministro da Segov (Secretaria de Governo) para discutir a situação de madeireiros.

O deputado Elias Vaz (PSB-GO), que pediu a presença do ministro na Comissão da Câmara, no entanto, disse à coluna que os deputados querem aproveitar a presença do ministro para questioná-lo sobre diversos temas, inclusive a proximidade de Ramos com o ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, que foi preso na última sexta-feira (13).

"Vamos querer saber da ligação dele com o ex-deputado Roberto Jefferson, um sujeito que foi preso e que o ministro chamou nas suas redes sociais de 'soldado'", afirmou.

No dia 3 de agosto, poucos dias antes da prisão de Roberto Jefferson, Ramos recebeu o presidente do PTB no Palácio do Planalto e publicou em seu Twitter uma foto ao lado do político dizendo que ele era "mais um soldado na luta pela liberdade do nosso povo e pela democracia do nosso Brasil."

Ameaças militares

Segundo o deputado, os parlamentares também vão questionar Ramos sobre a tensão entre os poderes e as ameaças do presidente Jair Bolsonaro de utilizar as Forças Armadas, já que o ministro também é general da reserva.

"Assim como fizemos com Braga Netto, nós vamos discutir com o ministro todas essas ameaças", disse.

Ministro passa dia "estudando"

Ramos, que além da Segov também comandou a Casa Civil de Bolsonaro, sabe que será abordado sobre a atual conjuntura política. Justamente por isso, segundo auxiliares do ministro, ele passou o dia "estudando" e se preparando para responder aos deputados.

O ministro, que é general da reserva, é tido no governo como um dos mais próximos do presidente. Sempre que pode ele destaca a amizade de longa data com Bolsonaro, mas tem perdido poder com a chegada de Ciro Nogueira à Casa Civil.

Convite após Operação da Polícia Federal

A convocação de Ramos aconteceu após a operação Handroanthus, da Polícia Federal. Na época, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse à Procuradoria-Geral da República ter promovido uma reunião no mês de março para discutir a maior apreensão de madeira no Brasil após um pedido de Ramos, então no comando da Segov.

Na época, em nota, a Casa Civil afirmou que é papel do ministro "articular audiências com os mais diversos representantes do Poder Executivo federal solicitadas pelos Poderes e também por outras instituições externas ao governo". "Nesse caso específico, na condição de ministro da Segov, Luiz Eduardo Ramos recebeu pedido de parlamentares de Roraima para expor ao Ministério do Meio Ambiente as demandas do estado relacionadas àquela pasta", afirma o texto.

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