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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com venda dos Correios, empregados temem calote no Postalis; governo nega

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

14/10/2021 04h00

Enquanto o governo trabalha para que o projeto que permitirá a privatização dos Correios avance no Senado, há muitas dúvidas em relação ao futuro do Postalis, o fundo de pensão dos empregados dos Correios, com mais de 134 mil participantes.

Para o vice-presidente da Adcap (Associação dos Profissionais dos Correios), Marcos César Alves Silva, os trabalhadores dos Correios vislumbram um grande risco de calote nos passivos previdenciário e trabalhista da empresa.

"Se os Correios forem vendidos para uma empresa sem lastro, sem garantias reais para cobrir esses passivos, que somados podem superar em muito os R$ 10 bilhões, o risco de calote nos trabalhadores é significativo", disse à coluna.

A secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Martha Seillier, afirmou que a fase dois do estudo sobre a privatização ainda está em curso e que fica difícil antecipar algum resultado sobre o futuro do Postalis. A expectativa do governo é apresentar os resultados sobre os passivos dos Correios, que deverão ser assumidos pelo comprador, em dezembro.

"O Postalis sofreu muito com os erros de gestões anteriores, e trazer a eficiência privada para a companhia certamente trará mais responsabilidade também com a gestão dos recursos do fundo", disse. "Estamos tendo muito zelo com o trabalhador dos Correios nesse processo."

Em relação ao receio de que trabalhadores sejam afetados, a Secretaria do PPI afirmou, em nota, que "o novo controlador definirá o destino do Postalis em conjunto com seus beneficiários, e permanecerá responsável pelo passivo existente em cada plano, na medida da paridade contributiva prevista no regulamento da entidade, sempre sob supervisão da Previc."

Postalis em números

Dados oficiais de julho 2021 mostram que o Postalis tem 134 mil participantes em dois planos administrados, o BD e Postalprev.

O plano BD possui um valor total de ativos de R$ 3,228 bilhões e um déficit de R$ 7,663 bilhões.

Já o plano Postalprev possui um valor total de ativos de R$ 5,488 bilhões e um superávit de R$ 31,661 milhões. Os valores também foram informados pela própria empresa.

General no comando

A exemplo dos Correios, que é presidido pelo general Floriano Peixoto, o Postalis está sob responsabilidade de um colega de patente do presidente: o general da reserva Paulo Humberto Cesar de Oliveira.

Nomeado em dezembro de 2019, o general disse que atendeu ao "pedido de um amigo" para assumir a empresa, que chegou a ter um interventor da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) por dois anos e dois meses, após seis anos consecutivos de rombos.

À coluna, o general afirmou que não haverá perda para os participantes com a privatização dos Correios e que "o governo e a Justiça podem garantir isso".

"Mesmo que quem comprar acabe com o Postalis, os funcionários vão receber a parte deles", disse. Oliveira afirmou ainda que não acredita que o comprador terá a intenção de se desfazer do plano, pela estrutura já existente.

"Nossa preocupação aqui no Postalis é fazer nosso trabalho e entregar para os próximos donos dos Correios da melhor forma possível. Temos que mostrar que temos a expertise de trabalhar com isso e, se for extinto, ele vai perder essa estrutura", afirmou.

Melhoria de imagem

Outro desafio que está colocado para o atual presidente da Postalis é a mudança de imagem do plano, abalada com os recorrentes casos de corrupção.

No mês passado, a estatal foi alvo de mais uma operação da Polícia Federal, batizada de Operação "Amigo Germânico", para investigar "crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro nacional e corrupção" supostamente cometidos contra o instituto em gestões anteriores.

Segundo o general, um dos seus focos de trabalho é justamente colaborar com as operações da PF e do Ministério Público.

"Nós fornecemos todas as informações, e quando as pessoas passam a ser processadas pelo MP, também são processadas pelo Postalis, já que somos a parte interessada", afirmou.

Em nota, logo após a última operação, a estatal afirmou que a operação era "uma notícia positiva para o Postalis, seus participantes e patrocinador, porque se trata de mais uma das ações que vêm sendo realizadas nos últimos anos para a recuperação de prejuízos causados por gestões passadas e responsabilização dos culpados", afirmou.

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