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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Caminhoneiros mantêm plano de greve para dia 1º, mas sem fechar estradas

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

25/10/2021 15h37Atualizada em 25/10/2021 19h10

Você vai viajar no feriado de Finados e está preocupado se pode ficar retido na estrada por causa de eventual greve de caminhoneiros a partir do dia 1º de novembro? Quais as chances de a greve ocorrer? Os caminhoneiros dizem que esperam uma proposta do governo para evitar a paralisação, mas estão preparados para ela.

"A orientação é que, se o governo não sinalizar nada até o dia 31, no dia 1º vamos amanhecer de braços cruzados. A categoria deliberou isso", afirmou à coluna o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão.

Ele lamentou o novo aumento anunciado pela Petrobras nesta segunda-feira (25) e disse que a situação da categoria está ficando cada vez mais insustentável. Apesar disso, Chorão afirmou que não haverá nenhuma orientação para que haja bloqueio de rodovias pelo país.

"A orientação é sempre a mesma: não fechar rodovias. Arrumar um local adequado para ficar parado ou ficar em casa. A orientação é não fechar rodovias para não prejudicar o direito de ir e vir de ninguém", disse Chorão. Ele foi um dos principais líderes da paralisação de caminhoneiros durante o governo de Michel Temer, em 2018.

Naquele momento, houve fechamento de estradas. A greve de 2018 durou dez dias, fazendo com que combustíveis deixassem de ser entregues em diversos postos. Também houve impacto no abastecimento de alimentos e em outras atividades que esperavam matérias-primas.

Mobilização "firme e forte"

De acordo com Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística), a mobilização para o dia 1º segue "firme e forte".

"O governo a cada dia dá mais motivo para ficar em descrédito com seus apoiadores. Vai ser um movimento nacional. Estamos chamando para parar o país de norte a sul e de leste a oeste", disse à coluna.

Litti reforçou também que a orientação será a de não ocupar rodovias. "Até para evitar de ser multado como foi em 2018", afirmou o dirigente da CNTTL, que diz representar cerca de 800 mil caminhoneiros, entre autônomos e celetistas.

O governo, porém, questiona a representatividade das atuais lideranças e diz que atualmente o país todo possui cerca de 750 mil caminhoneiros autônomos.

Política de preços

A principal demanda da categoria é por uma mudança na política de preços da Petrobras. "A política de preços de paridade internacional (PPI) é equivocada e está visando apenas dar lucros aos acionistas da Petrobras, quem comprou ações da empresa", diz Litti, destacando que o anúncio do governo em dar uma ajuda de R$ 400 aos caminhoneiros autônomos não melhora a situação.

"Traduzindo esses R$ 400 para o preço do óleo diesel, não dá mais nem para comprar os 80 litros que dava na semana passada. O governo está tentando atacar o efeito colateral, sem mexer na causa do problema", diz.

Fundo para reduzir a variação de preços

Segundo Chorão, além de lutar pela mudança na política de preços da Petrobras, a categoria quer mais estabilidade dos preços dos combustíveis e, para isso, defende um fundo para amenizar a variação.

"Os caminhoneiros não querem e não precisam de esmolas, queremos respeito e dignidade para continuar a trabalhar", disse.

Para o presidente da Associação das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados do Petróleo do Rio de Janeiro (Associtanque-RJ), Ailton Gomes, agora só quem pode evitar mesmo a paralisação é o governo.

"Não depende mais da gente. Depende do governo federal e estadual", disse à coluna. "O que precisamos é que se baixe o preço dos combustíveis".

Governo diz que mantém diálogo

Procurado, o Ministério da Infraestrutura afirmou, via assessoria, que "todos os canais do Governo Federal sempre estiveram e seguem abertos para o diálogo do governo com os caminhoneiros, para tratar de demandas legítimas da categoria".

"Para minimizar o impacto da alta dos combustíveis, o Governo Federal adotou o gatilho da tabela de frete, no qual toda vez que o aumento do preço do combustível atingir 10%, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajusta os coeficientes dos pisos mínimos da tabela de frete", disse o ministério

Segundo a pasta, os fóruns de Transporte Rodoviário de Carga tratam, trimestralmente, de diversas pautas de interesse da categoria, "como a questão dos pontos de parada para descanso nas rodovias federais, o Documento Eletrônico de Transporte (DT-e) ou a questão da contratação direta do caminhoneiro pelo embarcador".

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