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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Guedes envia documento à Câmara e articula para caso offshore ser esquecido

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em coletiva de imprensa no dia 22 de outubro de 2021 - Washington Costa/ME
O ministro da Economia, Paulo Guedes, em coletiva de imprensa no dia 22 de outubro de 2021 Imagem: Washington Costa/ME
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

10/11/2021 13h22Atualizada em 10/11/2021 17h41

O ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou uma documentação sigilosa com explicações sobre o fato de ele manter contas em offshores (paraísos fiscais) para as comissões da Câmara dos Deputados que o ouviriam sobre o fato de ele manter contas em offshores.

Segundo o presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), os documentos ainda serão avaliados.

"Recebi da assessoria do Ministro, via email da Comissão, uma documentação de cunho sigiloso que submeterei aos membros da Comissão. Porém, já deixando claro que uma coisa não substitui a outra. Ou seja: esperamos a sugestão de nova data por parte da assessoria de Paulo Guedes", disse, em nota.

Os documentos, entretanto, foram enviados pelos advogados do ministro Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso. Também em nota, eles argumentam que por conta de "conflito de agenda" foi solicitado o adiamento da sessão. De acordo com a agenda oficial de Guedes, porém, para esta quarta-feira há apenas um compromisso: uma reunião com membros da equipe às 11 horas. O depoimento estava marcado para as 10 horas.

"A defesa também aproveitou a oportunidade para juntar voluntariamente os documentos que foram apresentados à PGR e a comissão de ética pública, assim como reforçou que o ministro segue à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, demonstrando seu compromisso com o Congresso, bem como a legalidade e lisura dos fatos em questão", afirmaram os advogados, em nota.

Nos bastidores, o governo, porém, articula para que o assunto seja "esquecido" pelos parlamentares.

A avaliação de fontes do governo é de que o ministro já havia apresentado voluntariamente documentos que mostram que não há irregularidade e que, neste momento, existem "coisas mais importantes para o Brasil".

Além disso, argumentam que as convocações de Guedes aconteceram em meio a uma crise política, que acabou culminando com a aprovação da PEC dos precatórios na Câmara, depois que Guedes autorizou a manobra para furar o teto de gastos.

No Congresso, fontes da base aliada ouvidas pela coluna disseram que o clima está mais ameno em relação ao ministro e que os depoimentos agora não teriam outra justificativa que não criar mais fatos políticos e atrapalhar o andamento das pautas econômicas.

Além das comissões, Guedes havia sido convocado para falar em Plenário, mas como essa data depende do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), auxiliares do presidente Jair Bolsonaro contam com o aliado para também colocar na gaveta a convocação.

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