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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Para Guedes, decisão de aumento a policiais agora está nas mãos do relator

O ministro da Economia, Paulo Guedes - Edu Andrade/ME
O ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: Edu Andrade/ME
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

20/12/2021 18h35

Enquanto representantes de policiais atribuem ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a culpa pela ausência do aumento para a categoria no relatório do Orçamento de 2022, fontes ligadas ao ministro dizem que a decisão de incluir ou não o reajuste às forças de segurança cabe apenas ao relator, deputado Hugo Leal (PSD-RJ).

Nas palavras de um auxiliar do ministro, é o deputado quem está com "a força da caneta agora" e a decisão "é política e não mais econômica".

Na semana passada, Guedes recebeu do ministro da Justiça, Anderson Torres, um ofício solicitando que o governo incluísse na Lei Orçamentária de 2022 "os recursos necessários para implementação da reestruturação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal, bem como para reestruturação da carreira administrativa da segurança pública".

A pasta afirmava que o valor estimado de impacto orçamentário era de R$ 2,8 bilhões.

Guedes, que já havia recebido a ordem do presidente Jair Bolsonaro de atender a demanda da categoria, então pediu ao Congresso que reservasse R$ 2,5 bilhões no Orçamento de 2022 para conceder reajustes salariais em ano eleitoral.

No documento, Guedes afirmou que a medida era necessária "tendo em vista a decisão do presidente da República quanto à reestruturação de determinadas carreiras do Poder Executivo Federal".

Apesar disso, nesta segunda-feira (20), o relatório do deputado Hugo Leal não prevê recursos para reajustes salariais a servidores. O texto, no entanto, prevê um acréscimo de R$ 3 bilhões ao fundo de financiamento de campanha eleitoral (totalizando R$ 5,1 bilhões) e mantém a previsão de R$ 16,5 bilhões para as chamadas emendas de relator, conhecidas como emendas secretas.

Segundo um auxiliar de Guedes, caso o relator queira atender ao pedido do presidente e contemplar o reajuste para os policiais, por exemplo, ele poderia alterar a previsão de recursos para os próprios parlamentares.

"(No caso do reajuste para policiais) Nós pedimos a reserva orçamentária. Agora a caneta e a decisão é do relator", disse uma fonte da Economia.

Fontes da pasta dizem ainda que, além da questão do reajuste dos policiais, há uma série de outras demandas por mais recursos que devem pressionar o relator, como mais recursos para saúde e educação e bônus a auditores da Receita Federal, por exemplo.

A coluna procurou o deputado para comentar a situação, mas ainda não obteve retorno.

A votação do parecer estava prevista para acontecer hoje na CMO (Comissão Mista de Orçamento), mas foi adiada para amanhã (21).

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