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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Fora da agenda, Bolsonaro vai atirar com servidores da Receita Federal

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

16/03/2022 17h08

Fora da agenda oficial, o presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu na tarde da última terça-feira (15) visitar um estande de tiro da Receita Federal, em Brasília. A visita acontece em meio a cobranças de servidores públicos por reajuste e paralisações em órgãos como a própria Receita Federal.

A informação da visita do presidente foi divulgada, em nota, nesta quarta-feira (16), pelo Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) Nacional de Brasília, que também divulgou imagens do encontro. Em um dos vídeos, o presidente aparece atirando ao lado de dois instrutores.

Em 2020, Bolsonaro postou em suas redes sociais imagens praticando tiro e até ironizou sua performance.

A agenda aconteceu por volta as 16h30, logo após o presidente participar de evento no Palácio do Planalto. Em campanha pela reeleição, Bolsonaro tem dividido a rotina entre eventos, viagens e reuniões com segmentos em busca de voto.

Ausência em eventos do PL

No mesmo horário em que Bolsonaro atirava na tarde de ontem havia dois eventos do PL acontecendo em Brasília. Em um deles, a ministra Flávia Arruda, que deixará o governo para se candidatar ao governo do Distrito Federal, era uma das protagonistas e a presença de Bolsonaro chegou a ser divulgada.

No outro evento, a sigla filiou mais de 20 pré-candidatos para as eleições de outubro. Bolsonaro também não compareceu.

Cobranças da categoria

A visita de Bolsonaro ao estande de tiro foi vista pelos servidores como um aceno às demandas da categoria. "O gesto foi recebido por parte da categoria dos auditores fiscais como um avanço na mudança da relação do presidente, que em algumas situações se disse perseguido pelo órgão, com a instituição", diz o Sindifisco.

O órgão aproveitou para fazer cobranças e disse que o presidente está ciente da pauta da categoria. "A avaliação da visita presidencial foi muito positiva e renova as expectativas de um relacionamento de maior proximidade e interação institucional, com o reconhecimento da importância da Receita Federal se materializando na solução de questões urgentes como a recomposição orçamentária, a realização do concurso público e a edição do decreto que regulamenta a Lei 13.464/2017", afirmou, em nota, o presidente do Sindifisco Nacional de Brasília, George Souza.

Bolsonaro conseguiu separar R$ 1,7 bilhão no Orçamento para reajustes para servidores, mas prometeu que daria o aumento para os policiais. A preferência pelos agentes de segurança culminou com uma reação em cadeia que paralisou servidos da Receita e de outros órgãos federais.

Recentemente, para tentar solucionar a crise com os servidores, o Ministério da Economia propôs a concessão de um benefício de R$ 400, a ser incorporado no vale-alimentação, ou seja, sem estar sujeito a tributação, para todos os servidores.