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Se corretoras zeraram as taxas para seus investimentos, como elas lucram?

Paulo Whitaker/Reuters
Imagem: Paulo Whitaker/Reuters
Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

06/07/2020 04h00

Bom demais para ser verdade! Foi assim que a maioria dos investidores reagiu quando as corretoras de valores começaram a cortar suas taxas em investimentos. Algum tempo atrás, investir era caro, as taxas exorbitantes afastaram o pequeno investidor da Bolsa de Valores e outros investimentos. Essa realidade mudou, e a pergunta que ficou é: como essas instituições ganham tanto dinheiro mesmo sem cobrar taxas?

Há mais ou menos cinco anos, corretoras e instituições financeiras estão isentando todas as taxas que antes eram cobradas para os investimentos de renda fixa, principalmente no tesouro direto. Esse movimento começou quando uma corretora popularizou os investimentos a fim de deixá-los mais próximos da realidade de qualquer brasileiro, o que atraiu muitos olhares para si.

Todos no mesmo barco

As outras corretoras, que não são bobas, entraram na dança e isentaram também. Os bancos, que têm suas próprias corretoras, perderam muitos clientes dessa forma e se viram obrigados a também retirar algumas taxas e mirar nos títulos públicos para isso.

Com isso, estabeleceu-se um pé de igualdade nesse quesito. Quem antes escolhia uma corretora pela taxa cobrada na renda fixa, agora pode escolher qualquer corretora que irá encontrar as mesmas condições para esses investimentos.

Os ganhos escondidos

Mas se engana quem acredita que está investindo sem pagar nada para essas intermediadoras. Elas ganham com o spread dos investimentos de renda fixa, que é a diferença do ativo oferecido originalmente pela instituição financeira de quanto realmente é ofertado para o cliente final.

Por exemplo, um CDB está sendo ofertado por 120% do CDI pela instituição original. A corretora irá colocar à disposição de seus clientes esse mesmo CDB, porém com uma taxa de 116% CDI. Os 4% de diferença ficam para a corretora que consegue "isentar" todas as taxas para você.

Hoje, o que diferencia uma corretora da outra são as taxas cobradas na renda variável. Algumas resolveram estender sua isenção e decidiram não cobrar nada de seus clientes que investirem em ações ou fundos imobiliários.

Essas corretoras geralmente acabam ganhando com operações mais estruturadas. Elas atraem o investidor pela isenção de tarifas, mas cobram taxas altas pela utilização da plataforma de trading ou pela oferta de saldo para operações. Esse saldo é como se fosse um cheque especial para quem fica negativo durante as operações de compra e venda.

Indicações

Outra maneira que essas instituições têm para ganhar dinheiro é por meio de suas indicações com carteiras recomendadas e ativos imperdíveis para o momento e também com seus assessores de investimentos.

É comum a corretora fazer um acordo com um ativo, como um fundo, para oferecer mais ele do que os outros e assim ganhar uma comissão sobre suas vendas.

Claro é necessário entender que as corretoras são empresas, assim como qualquer outra, e dessa forma visam a expansão, crescimento e lucro. Porém, tome muito cuidado e não acredite que elas não têm interesses, que fazem seu trabalho puramente gostar muito do mercado financeiro.

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