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Como usaram meu nome para aplicar golpes com dinheiro

Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

30/07/2020 04h00

Golpes financeiros estão cada vez mais comuns. E o pior: os argumentos que os criminosos usam para arrancar seu dinheiro são convincentes e criativos. Usam nomes e dados de pessoas que você conhece, conversam com seus contatos, inventam histórias de empréstimos para forçá-lo a acreditar neles.

Eu felizmente nunca fui vítima num desses golpes, mas algo muito grave aconteceu. Usaram meu nome para tirar dinheiro de várias pessoas, e, mais do que isso, os golpistas conseguiram levar a melhor. Descubra o que já aconteceu comigo e o que você deve fazer agora para nunca ser vítima de algo parecido.

Golpe do WhatsApp

Já envolveram meu nome em dois tipos de golpes diferentes. O primeiro é muito comum no WhatsApp. Inventaram que eu iria fazer uma festa VIP, chamaria meus seguidores e, para ser aprovado, era preciso confirmar o número que chegasse ao celular.

Esse número é o de confirmação do seu WhatsApp, e se você o revela para os golpistas, tem o acesso ao seu WhatsApp e a todos os seus contatos roubado. A partir daí os bandidos começam a conversar com esses contatos e pedem dinheiro para eles, fingindo ser você e criando uma história de que você precisa de dinheiro rápido para pagar uma conta.

No meu caso, várias pessoas receberam ligações informando que eu estava organizando essa festa. Por sorte nenhuma delas caiu nesse conto e ninguém foi prejudicado.

Golpe do empréstimo pessoal

Outro golpe que passaram usando meu nome aconteceu algumas semanas atrás. A vítima ligava para um banco pequeno que atendia somente via telefone e solicitava um empréstimo pessoal. Quem fazia todo contato com a vítima era uma moça dessa instituição que se identificava com o meu nome, Júlia Mendonça. As duas nunca chegavam a se falar presencialmente ou ter um ponto de encontro físico.

Como tenho uma presença grande nas redes sociais, muitas vezes a vítima pesquisava na internet sobre a minha pessoa e encontrava diversos sites mostrando que eu era alguém confiável. Essa pessoa passava todas as informações para quem quisesse pegar o empréstimo, mas para receber o valor era preciso pagar uma taxa antecipada de R$ 200.

A vítima, desesperada pelo dinheiro, fazia de tudo para consegui-lo e, mesmo quando desconfiava, jogava meu nome no Google ou nas redes sociais e me encontrava - por isso ficava tranquila para fazer o depósito.

Depois de feito esse depósito, os criminosos desapareciam. Ninguém mais recebia o dinheiro e quem caía no golpe vinha reclamar comigo. Foi uma situação horrível e que infelizmente é bastante recorrente.

Tome cuidado

Já procurei diversas vezes por esse banco, mas nunca os localizei para poder tomar medidas legais. Infelizmente, enquanto existir internet, golpes desse tipo aparecerão e, o pior, cada vez mais criativos.

Cabe a você proteger-se deles. Nunca passe dados de WhatsApp para quem você não conhece e, em hipótese nenhuma, forneça dinheiro antecipado para um empréstimo. Desconfie sempre que solicitarem senhas ou dados pessoais. Na dúvida, não passe! E caso seja mesmo necessário, ligue diretamente para os canais oficiais da instituição que está procurando você.

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UOL Notícias

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL