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Quais são as ações "imunes" ao coronavírus?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

09/06/2020 04h00

Depois de tombo atrás de tombo, circuit breaker atrás de circuit breaker no começo da quarentena, as Bolsas do mundo todo têm reagido bem em alguns períodos.

Apesar da grande incerteza quanto à economia, sobretudo a do Brasil, algumas ações e setores podem estar mais "blindados" dessa crise, mais "imunes", como mostramos no vídeo acima.

E falar de ações se torna fundamental neste momento no qual os juros andam baixos e em que muitas pessoas físicas começaram a investir na Bolsa. Em março, a B3 registrou 2,24 milhões de pessoas físicas, um recorde e uma alta de 15% no mês, mesmo com a bolsa em queda naquele período.

Se você está pensando em ingressar no mercado, ou já ingressou, deve olhar com carinho as perspectivas das ações e da economia e talvez colocar parte da carteira em ações mais "imunes" ao coronavírus. Vamos a elas:

Setor de proteínas

Recentemente, a corretora XP Investimentos reiterou a recomendação em ações desse setor, caso da JBS, Marfrig e BRF. Essas empresas, fortes exportadoras e, portanto, com parte da receita atrelada ao exterior, devem se beneficiar com o dólar mais alto.

Para JBS, a perspectiva de preço alvo projeta um potencial de ganho na faixa de 60%. E para as outras duas empresas, a faixa de ganho está em 30%.

A demanda por carne bovina também tem crescido no exterior (cerca de 8% nos primeiros quatro meses), o que é benéfico para JBS, que tem fábricas nos EUA. Já no Brasil, o consumo de carne de frango, que é mais barata, deve crescer dada à queda de renda da população.

Farmácia

Outra empresa que foi fortemente impactada pela pandemia foi a Drogasil, que viu o lucro crescer 45% no primeiro trimestre. Alguns podem pensar "mas a quarentena só começou em 16 de março e, portanto, no fim desse trimestre reportado. Como isso afeta o balanço?".

Segundo a empresa, ainda assim houve um impacto positivo nas vendas. Nas duas últimas semanas de março, as vendas foram "significativamente acima do normal" quando comparadas às duas semanas antes da restrição de circulação.

No pico, a demanda ficou por conta do álcool em gel, medicamentos sem prescrição e remédios relacionados à época de inverno. Como ainda não há uma cura ou vacina, a indicação é tratar a doença como uma gripe normal, além do isolamento. Assim, medicamentos relacionados às gripes comuns têm sido procurados.

Se a tendência vai permanecer no segundo trimestre e restante do ano, não se sabe. Mas a consultoria McKinsey, em um relatório, mostrou que companhias relacionadas ao setor farmacêutico devem ter impacto econômico positivo em meio a tudo isso.

Varejo e alimentos

Além do varejo de eletrônicos e roupas, como Via Varejo, Magazine Luiza, entre outras, há também o setor varejista de alimentos, como o Pão de Açúcar.

As vendas online cresceram como um todo, como mostramos no vídeo acima. E, neste cenário, quem está mais bem adaptado ao mundo digital se beneficia.

Analistas do banco Morgan Stanley falam que a companhia B2W se enquadra aí, por ter 100% dos negócios em vendas digitais. No caso da Magazine Luiza, ainda há lojas físicas, mas 50% das vendas já ocorrem pelo meio digital.

Lembrando que essa não é uma recomendação de compra ou venda de qualquer ativo. Nosso papel é informar e cabe a você avaliar dentre as diversas empresas e ações quais podem se adequar melhor à sua estratégia de investimentos.

Quais outras ações você acha que são imunes ao coronavírus? Conte aqui nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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