PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Econoweek

CDB está pagando quase 130% do CDI; quer dizer que vou lucrar mais de 100%?

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

19/06/2020 04h00

Muitas pessoas nos perguntam sobre dicas de investimentos em renda fixa e variável, e quais são as melhores corretoras para começar a investir.

Outro dia, um amigo comentou sobre um CDB de um banco médio com rendimento de 13% ao ano, uma ótima rentabilidade em tempos de Selic baixa. Essa semana, a Selic novamente foi reduzida para 2,25% ao ano e comentei sobre o que vou fazer com meus investimentos com essa nova queda.

A verdade é que os bancos médios têm aumentado a rentabilidade dos CDBs. Quem conclui isso foi a Yubb, em pesquisa que foi publicada no blog Guiabolso. No vídeo acima, explicamos como aproveitar essas oportunidades de investimentos para aumentar a rentabilidade da sua carteira de investimentos sem se expor ao risco.

Em 2014, a Selic variou entre 10,50% e 11,75% ao ano, enquanto o retorno médio dos CDBs foi de 118,70% do CDI. Em 2019, quando a Selic já estava entre 6,50% a 4,50%, a média dos CDBs foi de 124,5% do CDI. Em 2020, com a Selic agora em 2,25% ao ano, a média dos CDBs já está em 128,7% do CDI.

Mas, vamos por partes para explicar direitinho essa rentabilidade.

Para os mais desavisados, isso não significa rentabilidade de mais de 100% ao ano! Já explicamos o que significa o percentual do CDI dos investimentos.

O CDI é uma taxa de juros que acompanha muito de perto a taxa Selic, a taxa básica da economia definida pelo Banco Central a cada 45 dias.

Em um investimento com rendimento de 100% do CDI, o retorno será exatamente igual ao CDI, hoje próximo a 2,25% ao ano.

Já uma aplicação com rendimento de 128% do CDI tem rentabilidade de 100% do CDI e mais um pouco, ou seja, acima dos 2,25% ao ano. Na verdade, hoje, esse rendimento seria de aproximadamente 2,9% ao ano.

E essas são oportunidades que devem ser observadas já que a crise deve perdurar e o cenário de juros baixos também. Mas vamos aos cuidados:

1. Se atente aos prazos

CDBs de bancos médios costumam ter carência mínima para resgate, que muitas vezes coincidem com a data de vencimento do papel, em dois, três ou cinco anos, por exemplo.

Caso ache que precise do dinheiro em menor tempo, seja para uma compra ou porque corre o risco de perder renda e não tem reservas, CDBs de longo prazo não são a saída.

O interessante é concentrar a reserva em investimentos mais líquidos que possam ser resgatados a qualquer momento, como em alguns fundos ou mesmo no Tesouro Direto.

2. Observe a diversificação

CDBs são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para o caso de a instituição financeira emissora do CDB tenha dificuldades para pagar o título lá na frente. Mas existe um teto!

O FGC dá garantia de até R$ 250 mil por investidor e conglomerado financeiro, limitado a R$ 1 milhão por CPF.

Para ficar mais fácil, exemplifiquei a seguir duas situações de cobertura e outras duas em que apenas parte do dinheiro investido estaria coberto:

Na primeira, um investidor tem R$ 200 mil no CDB do Banco A. Neste caso, o FGC garante a quantia se o Banco A falir, já que ela não ultrapassou R$ 250 mil nessa instituição financeira.

Na segunda situação, um investidor já tem R$ 400 mil investidos, mas dividido em dois bancos: R$ 200 mil no Banco A e R$ 200 mil no Banco B. Ele também está coberto se as duas instituições falirem, já que respeita o limite de R$ 1 milhão no total e de R$ R$ 250 mil por instituição financeira.

Agora vamos para casos em que não haveria cobertura:

No primeiro caso, uma pessoa possui R$ 300 mil investidos em um CDB do banco A. Bom, o FGC só vai garantir até R$ 250 mil se essa instituição financeira passar por dificuldades.

No segundo caso, a pessoa já aplica há anos e juntou um patrimônio de R$ 1,5 milhão em diversos bancos. Caso haja uma quebradeira geral no mercado, o FGC garante apenas R$ 1 milhão.

Além de se livrar do problema de garantias, a diversificação minimiza o risco da sua carteira. E já explicamos isso em mais detalhes no vídeo sobre os erros que não devem ser cometidos na diversificação de investimentos. Vale a pena conferir!

Os CDBs dos bancos médios estão pagando mais recentemente, mas não à toa! Eles precisam fazer muito mais esforço para captar recursos do que instituições com marcas maiores, já que o risco deles em geral é maior. Tenha isso em mente se for aplicar.

3. Tenha mais de uma corretora

Se você já investe por uma corretora, parabéns. Já tomou a atitude que muitos brasileiros ainda não tomaram. Mas, considere com carinho ter mais de uma conta em corretoras diferentes. É grátis! E às vezes há "promoções" e oportunidades de renda fixa com maior rentabilidade que aparecem apenas em uma plataforma ou outra. Sempre pesquise o mercado antes de aplicar.

Qual outra dica você daria? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.