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Queiroz vai delatar Bolsonaro? O que acontece com os investimentos?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

19/06/2020 19h47

Abraham Weintraub, ex-ministro da educação, foi demitido. Fabrício Queiroz, amigo da família Bolsonaro, foi preso por conta de investigação de "rachadinha". Afinal, será que tudo isso piora o clima político? Queiroz vai firmar delação premiada e aumenta a chance de impeachment de Bolsonaro? Isso vai fazer a Bolsa cair de novo?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, nesse texto bem como no vídeo acima, no qual respondo perguntas e respostas ao vivo sobre o tema, vou contar o que realmente está acontecendo e que muda para os investimentos.

Fabrício de Queiroz foi preso, como todos sabem. Amigo da família Bolsonaro, Queiroz é investigado pelo esquema de "rachadinha" e lavagem de dinheiro quando era assessor do então deputado estadual do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, agora senador.

"Rachadinha" é a prática em que servidores públicos ou prestadores de serviços devolvem parte de seus pagamentos a políticos e seus assessores.

A princípio, a investigação mira primeiro em Queiroz e atinge o filho do presidente de rebote, apontado como o principal beneficiário dessa "rachadinha". De todo modo, há pontos da investigação que veem movimentações suspeitas entre Queiroz, Michelle Bolsonaro e o próprio presidente.

Qual é o tamanho do problema para o presidente Bolsonaro?

O temor seria que Queiroz "abra o bico" e conte todos, ou ao menos parte, das eventuais ilegalidades cometidas pela família Bolsonaro.

Já se fala até em uma delação premiada de Queiroz, o que parece muito cedo para afirmar se de fato ocorrerá.

Apesar de tanto o próprio Bolsonaro e o advogado da família, Frederick Wassef, afirmarem não saber do paradeiro de Queiroz desde 2018, e ele ter sido preso justamente na casa de Wassef, não deve ser tão rápido para que essa prisão atinja Bolsonaro.

Mesmo com o cerco se fechando, o que tem mais potencial de dano político seria alguma ação de Bolsonaro para proteger a Queiroz, proteger a si próprio ou dar alguma declaração raivosa e polêmica sobre esse assunto, o que tornaria a situação mais suspeita.

O que muda nos investimentos?

Como se observou nos últimos dias, não há impacto imediato dessa prisão sobre os investimentos: a Bolsa brasileira mostrou alta ontem, dia da prisão de Queiroz, e hoje.

Mesmo assim, esse otimismo no mercado financeiro está muito mais ligado à imensa injeção de liquidez por governos e bancos centrais para combater os efeitos econômicos da pandemia, e esse novo caso na justiça traz sim mais fragilidade ao governo, somando-se a outros casos, como o inquérito das Fake News.

Não bastasse a tríplice crise vivida no Brasil (além da política, há a pandemia e a crise econômica dela decorrente), a crise política vem se intensificando, apesar de seu sobe e desce típico.

Especialistas políticos apontam que Bolsonaro está se aliando ao centrão político para somar forças no Congresso em um eventual pedido de impeachment ou outros embaraços que possam vir a atrapalhar, enquanto sinalizou com a demissão do ex-ministro da educação Abraham Weintraub por pressão do STF.

Alguns comentam que é típico de Bolsonaro o "morde e assopra" político, ou "dar um passo atrás para dar dois a frente", indicando que essa moderação de tom nas últimas horas pode seguir de novos ataques e piora do clima político. Eu diria que Bolsonaro tem mostrado ser mais adepto de "um passo atrás e três ou quatro passos a frente" e o clima político pode, sim, vir a azedar o clima dos investimentos.

Já discutimos se o crescimento das ações não seria o início da formação de uma bolha na Bolsa de Valores em descompasso com a economia real, na qual já houve aumento de 30% dos pedidos de falência de empresas, com 600 mil empresas fechando as portas e mais de 9 milhões de funcionários demitidos. A possibilidade de piora do clima político é real, embora não deva acontecer de um dia para outro, e é mais um fator a ser levado em conta na hora de escolher seus investimentos com foco nos médio e longo prazos.

Qual é a reação dos mercados no curto prazo?

Apesar das notícias políticas ruins, a Bolsa brasileira tem reagido bem principalmente por conta da queda da Selic, que favorece a migração da renda fixa para as ações. Mas, por outro lado, os juros menores pressionam a subida do dólar já que há um reequilíbrio entre risco e retorno, com investidores buscando retornos mais atraentes com o mesmo risco que o Brasil oferece.

Onde investir?

Mesmo assim, eu não vou deixar todo o meu dinheiro no Tesouro Selic, que está rendendo pouco, mas também não vou investir todo o meu dinheiro em ações. O que eu vou fazer, afinal?

Também quero aproveitar essa rodada de recuperação da Bolsa. Afinal, meus investimentos também caíram nessa crise. Mas vou escolher muito bem as ações em que vou investir.

Aliás, fizemos um vídeo mostrando as ações da Bolsa "imunes" ao coronavírus e outro mostrando quais são as ações defensivas da Bolsa, além de termos uma playlist no YouTube só de dicas de investimentos, passando por fundos imobiliários e várias outras coisas. Já é um bom começo para você decidir em quais ações vai investir. Está tudo no canal Econoweek no YouTube.

Também não vou deixar de investir na renda fixa, principalmente para a minha reserva de segurança, que precisa ter liquidez diária.

É fato que títulos como o Tesouro Selic, apesar de servirem muito bem para a reserva de segurança, são insuficientes quando se fala em rendimento.

Mas a renda fixa não para por aí! Há vários investimentos de renda fixa privada, com menor liquidez, que só deixam você sacar seu dinheiro mais para frente, com rendimentos acima de 10% ao ano.

Se for um CDB nessas condições, ele é garantido pelo FGC para investimentos de até R$ 250 mil e, se não precisar do dinheiro para tão já, é uma boa maneira de aumentar sua rentabilidade e diminuir a exposição à possibilidade de nova queda nas ações, seja oriunda de uma possível bolha, ou se a crise política se intensificar antes.

Para encontrar os títulos com os melhores retornos, o Yubb é um aplicativo que te mostra todas as opções de investimentos, disponíveis em todas as corretoras, depois que você informar quanto quer investir e por quanto tempo.

Quer investir R$ 1.000 por 12 meses? O app elenca todas as opções de ações, fundos de investimentos e títulos de renda fixa, desde o Tesouro Direto aos privados, como CDBs e debêntures, informando o tamanho do risco, o retorno esperado e outras informações.

Outro aplicativo que cumpre papel parecido, porém focado apenas em renda fixa, é o App Renda Fixa, no qual é possível informar o valor que pretende investir e terá um leque de opções como Tesouro Direto, CDBs, CCBs, LCIs, Debêntures etc.

O que você acha disso tudo? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

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