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Até quando a pandemia vai atrapalhar os investimentos?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

22/06/2020 18h06

Novos casos da Covid-19 voltam a crescer ao redor do mundo e o humor dos investidores, com impactos nas altas e baixas das Bolsas, tem girado ao redor desse assunto. No Brasil, os problemas políticos agravam a situação.

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, nesse texto bem como no vídeo acima, no qual respondo perguntas e respostas ao vivo sobre o tema, vou contar o que realmente está acontecendo e o que muda para os investimentos.

Por que as Bolsas sobem, mas não deslancham?

As Bolsas de Valores e o mercado de ações têm experimentado uma recuperação frente ao pior momento dessa crise. Mesmo assim, parece haver uma certa resistência em realmente voltarem a mostrar um crescimento sustentável dos preços.

Por enquanto, enquanto os casos de novos infectados voltam a crescer ao redor do mundo, a sensação dos investidores é de que os impactos de uma segunda onda de contágios não serão fortes o suficiente para que novas medidas de distanciamento social tão severas sejam novamente necessárias. E, assim, os impactos econômicos não deverão ser tão duros.

Nas últimas semanas, enquanto os investidores estão com esse relativo bom humor, as ações tenderam a subir. Quando alguma notícia de que novos contágios voltaram a atingir algum país, com fechamento de comércio e outras medidas, o humor vira e as ações mostraram queda.

Esse "vai e vem" deverá continuar ao redor desse assunto até que haja uma definição, já que é essa a principal notícia a guiar os preços dos principais ativos financeiros atualmente.

Desse modo, se for possível fazer uma leitura do chamado "mercado", formado pelo grande conjunto de investidores e outros agentes econômicos distribuídos ao redor do mundo, há ainda um temor de que uma segunda onda de Covid-19 cause grandes estragos, mas não é essa a perspectiva preponderante. De modo que as Bolsas continuam subindo sem ainda deslanchar, mesmo que com maior volatilidade, típica de momentos de incerteza, além dos característicos "altos e baixos" de tempos normais.

Será que há uma bolha se formando?

Nós já discutimos a sustentabilidade dessa alta de preço das ações e se isso seria indício da formação de uma bolha na Bolsa que pode estourar a qualquer momento. Afinal, a enorme injeção de liquidez de governos e bancos centrais ao redor do mundo, no combate aos efeitos econômicos da pandemia, significou um grande empoçamento de recursos, que passa a buscar melhores rentabilidades agora que a sensação de aversão ao risco está diminuindo.

Ao mesmo tempo, ainda há um aparente descompasso com a economia real, na qual já houve aumento de 30% dos pedidos de falência de empresas, com 600 mil empresas fechando as portas e mais de 9 milhões de funcionários demitidos no Brasil.

As estratégias de investimentos que eu adotei diante desse risco, também dividi em nossos encontros diários, com perguntas e respostas ao vivo sobre finanças e investimentos.

Agora, nos resta ser prevenidos e observar a evolução desse grande problema de saúde pública global, já que os ativos financeiros continuarão oscilando ao sabor de novas notícias acerca do assunto. Sejam elas boas ou ruins.

Problemas políticos pioram ainda mais a situação do Brasil

Por aqui, problemas particulares dos brasileiros também se somam a essa questão mundial.

A crise política ganhou mais um capítulo com a prisão de Fabrício Queiroz, amigo da família Bolsonaro, por conta de investigação de "rachadinha", localizado justamente na casa de Frederick Wassef, então advogado da família Bolsonaro, que afirmavam não saber de seu paradeiro.

Wassef, aliás, se "demitiu" do cargo de advogado de Flávio Bolsonaro nesse final de semana depois do ocorrido.

Embora especialistas afirmem que uma associação de Queiroz com o presidente Bolsonaro não pareça tão provável de ocorrer no escopo jurídico, e que um eventual inquérito contra Jair Bolsonaro só poderia ocorrer após o término do seu mandato, fatalmente o clima político volta a esquentar e joga contra o presidente.

Vale lembrar que a demissão do ex-ministro da educação, Abraham Weintraub, é uma tentativa de Bolsonaro de acalmar os ânimos políticos, que boa parte das vezes foi inflamado por ele mesmo.

As ações da nossa Bolsa continuarão oscilando diante de novos desdobramentos relevantes, em primeiro lugar, da pandemia e, em segundo lugar, da crise política brasileira. Fique atento!

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