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Fundos de investimento ainda são um bom negócio?

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

17/07/2020 04h00

A falta de tempo e conhecimento leva muita gente a terceirizar a gestão dos investimentos para um fundo. Mas será que é um bom negócio? O setor de fundos de investimentos fechou o primeiro semestre do ano com resgates líquidos de R$ 16,2 bilhões. Isso significa que essa foi a diferença entre o valor investido e o resgatado neste período.

Mas nem tudo é tragédia neste mercado. Neste artigo, bem como no vídeo acima, eu, Yolanda Fordelone, economista do Econoweek, a tradução da economia, vou explicar duas vantagens e três desvantagens que os fundos têm e você nem imagina.

Com essas dicas, caso o fundo de investimento seja o caminho escolhido, vai ficar mais fácil identificar bons produtos diante de tantas carteiras existentes no mercado.

DESVANTAGENS

1. Juros baixos e impostos

A sangria dos fundos foi sentida sobretudo nos fundos de renda fixa, aqueles mais tradicionais que aplicam em investimentos menos arriscados, como títulos públicos e CDBs. Foram R$ 95,2 bilhões de resgate na renda fixa.

Esses fundos têm sofrido por conta da queda da taxa básica de juros (Selic), um indicador que serve como parâmetro dos retornos oferecidos pelos títulos mais conservadores. Além disso, os fundos têm uma curiosidade, um jeito peculiar de serem tributados. Nos fundos de renda fixa, é cobrado não só o Imposto de Renda sobre o rendimento quando você resgata o dinheiro, mas também o chamado come cotas. É uma espécie de antecipação do imposto que "come", ou seja, diminui a quantidade de cotas do investidor a cada seis meses.

Por isso, se você for investir em um fundo, tenha o cuidado de optar por um bom gestor que seja adaptável ao momento ruim da renda fixa e que, mesmo neste cenário, encontre alguma alternativa para gerar um retorno um pouco maior do que a média do mercado.

2. Baixa liquidez de alguns fundos

Em um momento de crise, as pessoas querem investimentos com possibilidade de resgate rápidos. Essa é a realidade de somente parte do mercado de fundos. Há alguns fundos com prazos de resgate muito longos.

Um exemplo: uma vez apliquei em um fundo multimercado - fundos que investem em ativos de diferentes riscos, podendo ir da renda fixa ao câmbio - que apresentava uma boa performance. Porém, tive de resgatar o dinheiro e neste momento descobri que o fundo era D+30, ou seja, teria de esperar 30 dias para o dinheiro cair na minha conta.

Eu pude esperar, mas essa não é a realidade de muitas pessoas. Por isso, a dica é optar por aplicações que sejam líquidas, sobretudo se você estiver no momento de montar sua reserva de emergência, aquele dinheiro que você pode precisar a qualquer momento.

3. Falta de transparência de alguns gestores

Em geral, pela própria classificação do fundo é possível deduzir quais são os investimentos da carteira. Mas quando é preciso ter mais detalhes, nem todo gestor é tão transparente. Pode ser que você nem queira saber tantos detalhes assim, mas é bom estar ciente pelo menos do risco que você está correndo.

Tem fundo, por exemplo, que opera alavancado. Isso significa que, apesar de haver possibilidade de ganhos bem elevados, também há a possibilidade de você perder tudo o que aplicou e ainda ser chamado para cobrir um dinheiro extra de perdas. O fundo "aposta" mais dinheiro do que realmente tem em carteira para cobrir.

VANTAGENS

1. Poder investir como um milionário tendo pouco dinheiro

Há alguns fundos que exigem muito pouco para começar a aplicar, a partir de R$ 1. Outra verdade é que os fundos reúnem o dinheiro de muitas pessoas, o que no fim significam alguns milhões de reais. Com isso, os gestores conseguem investir em ativos que podem ser inacessíveis ao pequeno investidor individual.

A título de exemplo, há CRIs (um exemplo de título de renda fixa) que custam R$ 300 mil. Há operações estruturadas - aquelas que envolvem mais de um tipo de ativo e estratégia - que para valerem a pena também exigem pequenas fortunas, alguns milhares de reais.

A partir de fundos é possível acessar esses produtos de investimentos mesmo com quantias muito menores de dinheiro inicial.

2. Ter um gestor profissional

Existem muitos bons profissionais no mercado. Se você escolher um fundo onde você se sinta confortável com o risco e que tenha um bom histórico de retorno, o fundo pode ser um bom negócio.

Ter um bom gestor gera uma economia de tempo de estudo e de acompanhamento dos investimentos. Não significa que você não deva saber pelo menos o básico da aplicação, mas que terá algum especialista tomando as decisões diárias.

O vídeo e artigo não esgotaram todas as vantagens e desvantagens (nem abordei a taxa de administração, por exemplo), mas se você teve uma boa ou uma má experiência com fundos deixe um comentário ou ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. Em todos esses lugares, a gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.