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Boom dos influenciadores de finanças: 3 cuidados ao buscar informações

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

24/08/2020 18h20

Eu começo este artigo com uma pergunta: em um país em que se aprende tão pouco sobre dinheiro nas escolas discutir finanças em ambientes menos tradicionais é importante, mas vale à pena qualquer discussão?

Eu sou Yolanda Fordelone, economista do Econoweek, a tradução da economia, e no artigo de hoje, bem como no vídeo acima, traduzo o crescimento de influenciadores/educadores financeiros falando sobre o investimento em bolsa e os cuidados que você deve tomar com este movimento.

Tudo isso porque na semana passada, o apresentador Gregório Duvivier, o mesmo da Porta dos Fundos, fez um programa inteiro no GregNews, seu talk show semanal, sobre o aumento de pessoas físicas investindo na Bolsa e de todo um mercado incentivando isso, às vezes, de maneira inconsequente.

Vamos aos números: a B3, a Bolsa de Valores brasileira, ficou quase uma década com cerca de 500 mil pessoas físicas registradas. O movimento de ingresso de investidores começou a se acelerar em 2019 em um cenário de queda de juros, o que impactou diretamente os ganhos da renda fixa. Em julho do ano passado, batemos 1 milhão de CPFs cadastrados e nesta pandemia, somente entre março e julho, foram mais 900 mil contas abertas.

Você pode se perguntar: "mas nos EUA quase toda velhinha possui uma ação na carteira...". O problema levantado por alguns especialistas e que o Gregório debate no programa dele é a maneira desordenada com que as pessoas têm entrado no mercado.

O vídeo do GregNews começa por falar do caso recente de Gabriela Pugliesi que, após dois meses de cancelamento das redes sociais por ter feito uma festa em meio à quarentena, voltou ao Instagram falando que "nasceu para operar na bolsa".

Mas o problema vai além de blogueiras fitness. Quem busca conhecimento se depara todos os dias com milhares de cursos milagrosos de especialistas que te ensinam a ganhar um dinheiro "rápido e fácil". É o novo coach financeiro da berinjela com chia em que você pode trocar um salário CLT por uma vida fácil de trabalhar 4 horas por dia e viver de ações.

O programa semanal do Gregório ataca ainda algumas casas de investimento que possuem sites de notícias financeiras gerando um certo conflito de interesse no incentivo a aplicações.

O problema está se tornando tão sério que a própria CVM e o Ministério Público têm acompanhado o crescimento de influenciadores de finanças e olhado com atenção casos de manipulação de preços e indicação de ações por pessoas não credenciadas.

Para não cair em conteúdos que podem te fazer perder mais dinheiro do que ganhar separei três dicas para quem busca informações:

1. Desconfie se te venderem qualquer investimento como sendo algo fácil de ganhar dinheiro

Qualquer aplicação exige um conhecimento mínimo, além de acompanhamento para ajustes na carteira de tempos em tempos.

2. Não se baseie apenas em histórias de vitória

O storytelling clássico de quem está apenas querendo audiência ou te vender algum curso/conteúdo é contar apenas as histórias de sucesso. Busque também aprender com os erros, sejam eles seus ou dos outros.

Na verdade, na vida real é mais comum casos de fracasso do que de vitória entre aqueles que vivem de investimentos em ações e costumam ser conhecidos como day trade por aproveitarem as oscilações diárias de preços para buscar lucros.

Um estudo envolvendo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) acompanhou durante 300 pregões milhares de investidores pessoa física que faziam transações de curto prazo. Grave este número: apenas 1,1% deles tiveram um ganho médio superior ao salário mínimo em pouco mais de um ano.

3. Fuja de conteúdos que te causem ansiedade

Sou da opinião que dificilmente você irá se sentir 100% confortável para começar algo, seja o novo passo um início de negócio ou de investimentos. Por isso, muitas vezes agir é melhor do que só ficar no mundo da teoria.

Ainda assim, conteúdos que te geram ansiedade, te fazem sentir que você está ficando para trás, e te incentivam a agir amanhã, sem nenhum preparo, são perigosos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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