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As ações vão cair de novo? Uma nova crise não está fora do radar

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

28/09/2020 18h20

Depois de o Ibovespa chegar ao fundo do poço e a Bolsa brasileira cair mais de 40% em 2020, uma recuperação forte se seguiu, com o Ibovespa ultrapassando os 100 mil pontos. Há mais de um mês, a Bolsa "andava de lado" e, agora, voltou a cair. Com isso, uma "velha pergunta" volta a sondar: será que estamos em uma recuperação em "W" e haverá nova rodada de crise e queda das ações?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. Nesse artigo, vou traduzir o que é a recuperação em "W" e discutir quando tudo isso vai passar. No vídeo acima, essa mesma discussão ocorreu com perguntas e respostas ao vivo.

Para quem não se lembra, no começo de 2020, o Ibovespa, índice que representa o preço das principais ações da Bolsa de Valores brasileira, chegou perto de atingir os 120 mil pontos. Mas veio a crise e em meados de março esse mesmo índice chegou a ficar abaixo dos 70 mil pontos uma queda de ao redor de 40%. Desde o começo de junho, já havia uma recuperação considerável, mas a Bolsa está "andando de lado" ao redor de 98 mil e 102 mil pontos, mas agora muitos estão preocupados que possa voltar a cair com força.

Apesar de várias hipóteses terem sido levantadas, há dois formatos principais de recuperação econômicas que mais se comentou nos últimos meses: a recuperação em "W" e a em "V".

O que é a recuperação em "V"?

Inicialmente, alguns afirmavam que a crise de saúde pública seria em formato de "V", pois deveria haver forte crise, seguida por uma forte recuperação.

A recuperação em formato de "V" faz uma alusão a uma queda rápida da economia e das Bolsas devido, neste caso, à pandemia e à paralisação das atividades econômicas, mas com recuperação igualmente rápida quando as coisas começassem a voltar ao normal.

Com a perspectiva de que a vacina poderia ser criada antes do esperado e o número de infectados se reduzindo, as economias começaram a reabrir e a reaquecer, dando sinais de que poderia haver uma recuperação rápida.

O que é a recuperação em "W"?

Por outro lado, a própria reabertura fez o número de novos casos voltar a subir e governantes mais uma vez começaram a discutir medidas restritivas, mesmo que mais brandas.

A recuperação em formato de "W" faz uma alusão a uma queda rápida da economia e das Bolsas, seguida de recuperação, e, em seguida, de nova queda por conta de novo pico da pandemia quando as pessoas começam a voltar à circulação normal.

Com o temor de novas medidas restritivas, a precificação de vários ativos do mercado financeiro é colocada em xeque, como o preço das ações e até do petróleo, cogitando redução da demanda por combustíveis, por exemplo.

Quando a recuperação virá para ficar?

Não podemos nos esquecer que além da pandemia, há ainda outros fatores que trazem incerteza para o cenário e dificultam a recuperação. Alguns deles são a eleição presidencial americana e a guerra comercial entre China e Estados Unidos.

Além disso, no mercado financeiro, sempre há uma antecipação dos fatos, de modo que os preços são formados por expectativas. Traduzindo, se a maioria dos investidores do mundo inteiro imaginam que a economia vai voltar ao normal em breve, a partir deste momento, antecipadamente, os preços dos ativos começam a melhorar, prevendo reaquecimento da economia, mais vendas, novos negócios e assim em diante.

Por enquanto, parece estar havendo uma correção de expectativas, que poderiam estar otimistas demais.

Com tanta incerteza, o que podemos afirmar é que o forte sobe e desce da Bolsa só vai passar quando uma solução clara se provar eficaz e irreversível, o que parece estar próximo, já que há perspectivas de que o início da vacinação em massa possa acontecer próximo à virada de 2020 para 2021.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.