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Boom de IPOs: 5 cuidados ao investir em ofertas de ações

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

08/10/2020 18h20

2020 foi o ano marcado pelo ingresso massivo de pessoas físicas na Bolsa de Valores. Batemos 3 milhões de investidores em ações em setembro, segundo dados da B3, o que representa um aumento de mais de 80% em relação ao começo do ano.

Por outro lado, o ano também registrou um aumento considerável de ofertas públicas de ações. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), até 8 de outubro, foram 32 ofertas de ações, entre primárias e secundárias, totalizando R$ 52,9 bilhões. Em 2019 inteiro, foram 14 ofertas, em um total de R$ 35 bilhões.

Na fila em análise, ainda aparecem mais 78 ofertas públicas. Em andamento, algumas gigantes, como o do Grupo Mateus, varejista do Norte e Nordeste do país que lança as ações na próxima terça-feira (13). A expectativa é que seja um dos maiores IPOs do ano.

No artigo de hoje, assim como no vídeo que você acompanha acima, eu, Yolanda Fordelone, economista do Econoweek falo sobre o mercado de IPOs e ofertas de ações e os cuidados que o pequeno investidor deve ter. O vídeo acima faz parte de uma live do Econoweek que acontece de segunda a quinta-feira, sempre às 18h20.

Mas antes, vamos entender os tipos de ofertas.

Tipos de ofertas de ações

As empresas podem fazer dois tipos de ofertas de ações no mercado. Quando é a primeira venda de ações, ou seja, a estreia na Bolsa, a oferta é chamada de Oferta Pública Inicial (ou IPO da sigla em inglês). Neste ano, foram os casos do Petz, Pague Menos, entre outras empresas.

Já ofertas subsequentes são aquelas feitas por empresas que já possuem ações na Bolsa, mas que, por algum motivo, resolvem lançar mais ações. Neste caso, a venda é chamada de follow-on. É o caso da Natura, que está em andamento com uma oferta global de ações em um total de R$ 6,2 bilhões.

Tanto o IPO quando o follow-on pode ter dois tipos de venda de ações. A venda primária é aquela cujo dinheiro vai para a própria empresa investir em algum projeto, aumentar os negócios, pagar dívidas, entre outros motivos. O fato é que o recurso captado acaba na companhia.

A venda ou oferta secundária caracteriza-se por envolver ações dos próprios acionistas. Ou seja, algum acionista grande da empresa resolve vender a carteira de ações e pelo negócio ser relevante, podendo até impactar no preço, faz a venda por meio de uma oferta pública. O caso é que o dinheiro não será usado pela companhia nesta segunda situação.

Cuidados ao investir em um IPO e em outras ofertas

1. Estude sobre a empresa

Todas as ofertas são acompanhadas de um documento chamado prospecto que pode ser encontrado na própria CVM ou no site das empresas. Envolve mais de 100 páginas em geral, mas cada informação deve ser lida com atenção. O documento reúne, por exemplo, os riscos da empresa e do setor, além da informação do porquê a companhia está vendendo as ações, ou seja, para que usará o dinheiro.

Empresas que já têm ações negociadas na Bolsa possuem um histórico financeiro maior, pois são obrigadas a divulgar balanços e outras informações relevantes. No caso de IPOs, pela empresa ter capital fechado antes de fazer a oferta, o investidor acaba sem ter o histórico. As companhias geralmente divulgam o resultado financeiro mais recente.

2. Veja qual é o tipo de oferta

Ofertas secundárias (aquelas cujo dinheiro vai para o acionista) costumam não ser bem vistas pelo mercado. Se a empresa vai bem, por que este sócio quer vender a participação?

Ao mesmo tempo, há situações específicas em que o sócio acaba tendo de vender, como um fundo que tenha de devolver parte das cotas aos investidores. Assim ele deve vender a carteira, incluindo as ações daquela empresa da oferta.

Entenda o motivo da venda e, se for uma oferta primária, para que o dinheiro será usado.

3. Não abandone sua tese

Costumamos ouvir muitas históricas de IPOs bem sucedidos, mas nos esquecemos daqueles que vão mal. Não entre na oferta apenas por ser um IPO. Da mesma forma que investir em ações pelo home broker envolve uma estratégia, para a oferta você deve segui-la.

Se sua tese de investimentos envolver apenas empresas de determinados setores ou companhias que tenham boa governança, por exemplo, se atenha a elas. Não abra exceções por ser um IPO.

4. Diversifique

Outra regra comum do mercado que também vale para IPOs é não apostar todas as fichas em uma só oferta. Tenha uma carteira diversificada de ações. Investir em apenas uma empresa, de uma oferta, aumenta consideravelmente o risco da sua carteira.

5. Tenha uma reserva de emergência

Presenciei em 2007 uma febre de ofertas públicas. Alguns conhecidos chegavam a pegar crédito para participar. Não recomendo.

Não é indicado investir em ações, inclusive em ofertas, se você não tiver feito o dever de casa inicial das finanças: criar uma reserva de emergência, entre seis e nove meses de gastos, que cubra eventuais emergências. Assim, se tiver um imprevisto não vai se ver obrigado a vender a ação em um momento ruim do mercado.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.