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Entrevista com Manuela d’Ávila: qual o novo papel da esquerda no Brasil?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

17/12/2020 04h00

Você deve ter ouvido falar que o chamado centro político brasileiro foi o grande vitorioso nas eleições de 2020.

A esquerda - tipicamente lembrada pelo partido que já fez história no Brasil, o PT - está bem menos popular após grandes escândalos de corrupção e a condenação do ex-presidente Lula, o maior símbolo dessa linha política.

A direita, atualmente bastante caracterizada pelo Bolsonarismo que se fortaleceu com o enfraquecimento do PT, também mostrou perda de protagonismo.

Esquerda e direita contemplam uma grande diversidade de pensamentos e bandeiras, não sendo prudente resumir a divisão em apenas dois grandes grupos.

Mas, já que assim foi convencionado, qual será o novo papel da esquerda no Brasil?

Para responder a essa pergunta, o Econoweek conversou no vídeo acima com Manuela d'Ávila, que foi candidata à prefeitura de Porto Alegre pelo PCdoB neste ano, bem como foi candidata à vice na corrida à Presidência da República em 2018 na chapa encabeçada pelo petista Fernando Haddad, além de já ter ocupado outros cargos políticos.

Esquerda ou direita? Centro!

Depois de pregar que não faria a política "toma-lá-dá-cá", Bolsonaro está fortalecendo o chamado centrão político para manter a governabilidade.

O fato é que partidos de centro ganharam expressividade ao saírem vitoriosos dar urnas em diversas localidades nas eleições municipais desse ano.

De todo modo, essa parece ser uma tendência mundial. Nos Estados Unidos e em outras nações pelo mundo, políticos parecem buscar tons mais moderados como principal linha de discurso para vencer as eleições.

Qual é o novo papel da esquerda?

Com menos força que nos tempos do PT na Presidência do Brasil, a esquerda política (por mais diversa que seja) figurará como oposição.

Pela frente, teremos um cenário duro:

  • O desemprego continuará elevado em 2021 (já que empresários deixam para o fim da recuperação para fazer novas contratações, aguardando perspectivas mais firmes de bons tempos pela frente);
  • O fim do auxílio emergencial irá impor ainda maior restrição de renda, retardando a recuperação econômica;
  • A alta de preços está muito mais acentuada em itens que atingem com mais força a população mais pobre, principalmente com inflação dos alimentos.

A esquerda brasileira, que dentre diversas pautas, levanta a bandeira de maior justiça social e equidade de renda, terá forças para fazer alguma coisa? E com quais métodos?

Essa pergunta não é simples de ser respondida, mas foi justamente esse o foco da conversa com Manuela d'Ávila no vídeo acima. Vale a pena conferir.

Resumo da ópera

É incerto afirmar se os resultados dessas eleições trarão bom ou mau presságio para nós brasileiros.

Mas, depois de tanta polarização e discussões entre parentes e amigos (sem contar escândalos políticos de todos os lados), nos resta torcer para que 2020 tenha sido ao menos o primeiro passo para a volta à racionalidade na política brasileira, sem nos esquecermos de que políticos eleitos são nossos funcionários e devem ser responsáveis e sensatos diante de nossa observação constante.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.