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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

PIB: Economia vai salvar Bolsonaro nas eleições 2022?

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

08/06/2021 04h00

Com a CPI da Covid a todo vapor e entrada de novos atores políticos na corrida eleitoral, o cenário ficou cada vez mais difícil para Jair Bolsonaro ganhar as eleições 2022.

Apesar de a pandemia ter arranhado a imagem do presidente, já tem gente falando que é a economia a boia de salvação que pode salvar o governo e virar uma bandeira na corrida eleitoral.

Isso porque o PIB do primeiro trimestre surpreendeu e parte do mercado aposta em um crescimento maior do que se imaginava em 2021.

No dia 18 de maio, o Ministério da Economia revisou para cima a projeção de crescimento da economia neste ano. Antes era 3,2%, agora é de 3,5%.

O governo, no entanto, costuma ser conservador na projeção porque estimativas de PIB mais fortes mexem com toda a projeção do orçamento. No mercado, os economistas estão achando que a gente deve crescer mais neste ano.

Revisões

Na segunda quinzena de maio, boa parte dos analistas revisou as projeções do PIB. A XP investimentos aumentou para 4,1% em 2021, a XP Asset espera 4,7%, Credit Suisse revisou pra 4%, Itaú para 5%, entre outras casas.

Em resumo, as projeções que estavam próximas a 3% passaram para algo acima de 4%, chegando a 5% nos casos mais otimistas.

A leitura é que o isolamento nos primeiros meses do ano e parada do auxílio emergencial acabaram não afetando tão profundamente a economia como se esperava.

Dados iniciais de atividade também levaram uma onda de otimismo ao mercado. O IBC-BR, do Banco Central (espécie de prévia do PIB), subiu 2,3% no primeiro trimestre, enquanto o Monitor do PIB da FGV cresceu 1,7%.

Também pesou nas revisões o fato de estarmos vindo de uma base muito fraca, já que no ano passado tivemos um tombo de 4,1% no PIB.

A vacinação segue sendo algo importante no radar do mercado. Estamos andando a passos lentos, mas ainda assim no segundo semestre devemos ter taxas melhores de vacinados.

Apoio

No fim de maio rolou um evento famoso entre "faria limers" com palestras de diversos nomes importantes do mercado que apontaram para algumas coisas.

A primeira é que Lula de fato deve ser mais parecido com 2002 do que com o governo Dilma, ou seja, tem demonstrado um tom mais moderado. Mas parte dos especialistas ainda enxerga o cenário com Lula como sendo arriscado.
Em todo caso, o mercado é cínico: pode se adaptar tanto ao discurso de Lula quanto ao de Bolsonaro, a depender da economia.

Além da vacinação, dois fatores estão no radar do mercado: PIB e inflação. A inflação é um risco porque ninguém sabe para onde vai. Já o PIB deve vir forte neste ano, e entrar como bandeira nos discursos de Bolsonaro.

Como o PIB afeta os investimentos

Se o PIB vier forte, estrangeiros podem voltar à bolsa, movimento que já foi forte em maio. O mercado projeta o Ibovespa - principal índice acionário da bolsa - em 160 mil pontos.

Em um cenário de polarização, investidores de ações também podem sofrer bastante volatilidade com o andar da corrida eleitoral.

Apesar da melhora recente do PIB, parte do mercado acha que Lula ainda deve ser o eleito em 2022. Confira o vídeo abaixo sobre o tema.

Você acredita que a economia forte pode salvar Bolsonaro? Comente abaixo ou nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL