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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Investidor ou especulador: entenda os dois jogos da Bolsa

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

22/06/2021 04h00

Quando você vai investir na bolsa ouve histórias como as de Warren Buffett, um dos maiores investidores da história e que costuma investir em empresas que acredita que irão crescer muito e gerar lucros, às vezes esperando anos para que isso aconteça. Mas também escuta histórias de tantos outros traders que compram na baixa e vendem na alta, lucrando em operações de curto prazo.

Existem os dois jogos na bolsa acontecendo ao mesmo tempo: a especulação e o investimento. A coluna de hoje explica as diferenças entre eles com uma analogia. No vídeo abaixo, comentamos o que cada um de nós segue na carteira.

Assinamos recentemente no Econoweek uma casa de análises e em um dos relatórios há uma analogia com um mercadinho no interior de Minas Gerais.

Na pequena cidade de Corinto, existe a mercearia do seu Pereira. Volta e meia o proprietário faz uma promoção de um produto que está encalhado no estoque. Quando o produto volta a ser procurado, ele ajusta o preço novamente para cima.

Quando percebe que todo mundo da cidade está buscando muito um produto, ele aumenta o preço. Ou seja, seu Pereira acompanha muito a "moda" da cidade.

Observando a situação, o analista que escreve o relatório, Thiago Reis, explica que há dois jeitos de ganhar dinheiro na cidade: negociando produtos e sendo sócio do seu Pereira.

Na primeira estratégia, você compra os produtos encalhados (mais baratos) e fica esperando eles entrarem na moda novamente para vender e ter lucro. O risco é o preço não voltar e ter de vender ainda mais barato do que pagou.

Na segunda estratégia, você estuda o negócio do seu Pereira para ver se está com lucro e se está crescendo. Também verifica se o preço que ele está pedindo é um valor justo. Se achar que é uma boa oportunidade, entra de sócio. O risco é surgir um concorrente, o sócio ser difícil de lidar, entre outros.

Investidor e especulador

A analogia traduz bem os dois jogos da bolsa: a do especulador e do investidor. Há pessoas que tentam ganhar dinheiro comprando as ações na baixa e esperando a valorização em períodos curtos. São os especuladores.

Também há aqueles que estudam as empresas e tentam lucrar com o crescimento delas. Ganham com a distribuição do lucro (os dividendos), o que também acaba se refletindo no preço na ação. Esses são os investidores.

Como ser investidor e especulador?

Se você quer especular, precisa entender os diversos temas que podem afetar o otimismo ou pessimismo sobre uma empresa e seus preços, como decisões políticas, chuva, doença, etc.

Também precisa trabalhar com margens de preços (os chamados stops) e seguir sua estratégia, mesmo que isso signifique tomar prejuízo em alguma operação. Em outras palavras, precisa ter sangue frio.

Para o investidor, é importante olhar para dentro da empresa e entender se ela é lucrativa e continuará sendo nos próximos anos. Além disso, precisa acompanhar os fundamentos e indicadores da empresa como o retorno com dividendos, taxas de endividamento, entre outros dados. Ou seja, tem de verificar se o negócio anda saudável.

Você pode jogar um jogo, o outro, ou os dois, só não pode confundir a estratégia. Ou seja, compra uma ação falando que acredita no fundamento, algo de longo prazo, mas se desespera e a vende na primeira queda de preços, ou então compra uma ação querendo lucrar no curto prazo, o preço cai e fica com esperança de que vai subir ao invés de ter coragem de vender e assumir o prejuízo.

Qual jogo você joga: é especulador ou investidor? Comente abaixo ou nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL