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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Inflação? IPCA? Como se proteger da alta descontrolada de preços?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

16/07/2021 04h00

Inflação é que nem sal na comida: não pode ser nem demais, nem de menos, concorda?

Não é nenhuma novidade que os preços estão subindo, mas seu salário provavelmente não está?

Por isso, neste artigo vou explicar:

  • O que é inflação? O que é IPCA?
  • O que está mais caro e o que está mais barato?
  • Quais são as três coisas que fazem os preços subirem?
  • O que faz desta inflação um caso único?
  • O que pode ser feito para combater a inflação?

Gravei minha tela para você entender tudo isso de maneira mais simples e o resultado está no vídeo no topo deste artigo.

O que é inflação?

A inflação se refere a um aumento contínuo e generalizado dos preços em uma economia. É só falar da inflação da carne, do ovo ou de outros alimentos que todo mundo vai entender.

A alta de preços de um único produto pode ser decorrente de um problema pontual, como a falta de feijão nos supermercados, mas não necessariamente significa que todas as demais coisas também estão subindo de preço.

Você acha que o que estamos vivendo hoje é ou não um problema de inflação generalizada? Conta aqui um exemplo do que você percebeu para chegar a essa conclusão.

O que é IPCA?

O IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

Ele é calculado mensalmente pelo IBGE e leva em conta a variação de preços de um mês para o outro de tudo o que o brasileiro costuma consumir: bens ou serviços.

Segundo metodologia própria, de tempos em tempos, o IBGE faz uma pesquisa para saber o que o brasileiro com renda familiar entre um e 40 salários-mínimos deixou de consumir e quais novos itens deveriam entrar na lista de acompanhamento de preços.

Serviços de streaming foram incluídos recentemente enquanto a fralda de pano saiu da lista há um bom tempo.

Há outros índices de inflação, como o IGP-M, IPC-Fipe, etc., mas IPCA é o índice de inflação oficial do Brasil. É para onde o Banco Central olha antes de decidir se a Selic sobe ou desce, justamente para "domar" a alta de preços.

Dica: acostume-se a olhar para a inflação acumulada em 12 meses. A razão é simples. Seu salário costuma ser reajustado anualmente, bem como a rentabilidade de seus investimentos, e os juros do seu financiamento obedecem à mesma métrica anual. Assim, fica mais fácil comparar.

O que está mais caro e o que está mais barato?

Dentro do IPCA, dá para ver quais itens subiram mais nos últimos 12 meses:

  • Transportes: alta de 15%, principalmente por conta de combustíveis mais caros.
  • Alimentos e bebidas: +12,6%, diante do dólar mais elevado e de dificuldade de escoamento de algumas commodities, que ainda foram penalizadas por geadas e estiagens em algumas regiões do Brasil.

E os que subiram menos (ou caíram):

  • Educação: queda de 1% dos preços, impactado pela nova realidade do ensino à distância e por cancelamentos de matrículas em instituições particulares durante a pandemia.

Mas o fato é que a alta média de preços é de quase 10% neste ano, até junho (data de aferição mais recente do IPCA).

O que causa inflação?

Há três motivos principais:

Inflação de demanda - Consumidores querem comprar mais do que os fabricantes e lojistas podem oferecer.

Inflação de oferta - Os consumidores continuam comprando a mesma quantidade, mas os custos do fabricante e do lojista sobem e são repassados para o consumidor final.

Inflação por inércia - A população se acostuma muito com a inflação passada e acha que ela vai se repetir no futuro. Por isso, para se protegerem, os fabricantes e lojistas aumentam seus preços e os funcionários pedem aumento de salários, o que prolonga os dois tipos de inflação explicados antes.

Você sabia?

A hiperinflação brasileira dos anos 80 e 90 foi considerada uma característica genuinamente nacional, como o carnaval e o futebol, pois as pessoas discutiam inflação até no bar e em rodas de amigos.

Você se lembra de algum outro problema que vem sendo bastante discutido nos grupos de WhatsApp?

Como se proteger da inflação?

Há dois tipos de solução:

Soluções públicas

Alta da Selic - O Banco Central aumenta a taxa Selic e causa desaquecimento da demanda, potencialmente "acalmando" a inflação.

Vacinação - Com o avanço da vacinação, as coisas tendem a voltar ao normal e as restrições de oferta deixam seus efeitos inflacionários para trás.

Soluções pessoais

  • Pedir aumento de salário de pelo menos a variação da inflação - Essa seria a solução mais cômoda, mas não parece nada fácil ser atingida para a maioria dos brasileiros que perdeu emprego e renda.
  • Arrumar uma fonte de renda extra - Essa é a solução mais trabalhosa.
  • Cortar itens menos importantes para caber no salário - Essa é a solução mais dolorida por escancarar a necessidade de redução do padrão de vida.
  • Investir em ativos que garantam retorno acima da inflação - O Tesouro IPCA é um dos investimentos que protegem você da alta de preços.

No vídeo a seguir, da economista Yolanda Fordelone, há uma explicação bem detalhada de como fazer esse tipo de investimento para se proteger da inflação. Vale o play!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL