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Gabriela Chaves

Bolsonaro é responsável por famílias brasileiras estarem quebradas

Gabriela Chaves

Gabriela Chaves é economista e fundadora da NoFront - Empoderamento Financeiro, plataforma que ensina educação financeira a partir de músicas de RAP. Também é mestranda em Economia Política Mundial pela UFABC e pesquisadora do NEPAFRO - Núcleo de Estudos Afro-Americanos, nas áreas de gênero, raça e trabalho. Em 2020, pela Editora Senac São Paulo, lançou o livro “Economia do Setor Público”.

21/01/2021 04h00

Não bastasse o luto em que iniciamos o ano de 2021, superando a marca de 210 mil mortes, somos obrigados a assistir ao presidente da República admitindo sua incompetência em rede nacional, ao afirmar que o país está quebrado e que ele não consegue fazer nada. Bolsonaro, o Brasil não está quebrado, mas as famílias brasileiras estão. E essa responsabilidade é sua.

As finanças de um país são totalmente diferentes das finanças de uma família. Para sair dessa crise, o Brasil pode mobilizar as taxas de juros, realizar reformas tributárias e até mesmo fazer uma rolagem da dívida pública.

Do lado das famílias, a situação não é bem assim. Desde 2016 o brasileiro não vê um aumento real relevante no salário mínimo. Progressivamente vemos os preços dos supermercados subindo, junto com o desemprego de mais de 14 milhões de pessoas e a precarização do trabalho, dentre as poucas oportunidades disponíveis.

O salário mínimo chegou ao seu menor poder de compra desde 2005. Hoje um salário mínimo é capaz de adquirir apenas 1,58 cesta básica, de acordo com o Dieese. Isso sem falar nos custos de moradia e transporte, que aumentam a cada dia mais. Vivemos tempos de retorno da fome, da miséria e da desesperança.

Eu realmente queria inaugurar a coluna deste ano falando sobre sonhos, avanços e esperança, mas a quantidade de crianças trabalhando em semáforos que eu vi este ano não permitiu. Continuaremos a falar de educação financeira, mas para que esse processo seja de fato libertador, precisamos entender as estruturas que nos cercam. Uma educação financeira que não leva em consideração a conjuntura econômica não pode ser efetiva.

Sim, é verdade que em 2020 presenciamos recordes de pessoas iniciando investimentos na Bolsa de Valores, mas eu te pergunto: quem são essas pessoas? Essa realidade se aplica aos mais de 14 milhões de desempregados? Se aplica aos milhões de brasileiros que vivem com um salário mínimo? Promessas de enriquecimento rápido não vão nos ajudar.

É perfeitamente compreensível o desgosto que se instaurou nas nossas vidas em relação à política. Mas precisamos entender, de uma vez por todas, que a política afeta diretamente nossa vida diária.

A política e a economia compõem uma superestrutura da qual nenhum de nós pode escapar. Temos, portanto, que nos apropriar, compreender e questionar as decisões econômicas que são tomadas na esfera política. Só assim sairemos da crise a qual estamos submersos.