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José Paulo Kupfer

IPCA-15 de julho é mais uma confirmação de que economia continua sem reagir

José Paulo Kupfer

Jornalista profissional desde 1967, foi repórter, redator e exerceu cargos de chefia, ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, nas principais publicações de São Paulo e Rio de Janeiro. Eleito “Jornalista Econômico de 2015” pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo/Ordem dos Economistas do Brasil, é graduado em economia pela FEA-USP e integra o Grupo de Conjuntura da Fipe-USP. É colunista de economia desde 1999, com passagens pelos jornais Gazeta Mercantil, Estado de S. Paulo e O Globo e sites NoMinimo, iG e Poder 360.

24/07/2020 17h40

Os termômetros da inflação continuam indicando temperatura muito baixa, na variação de preços, mês a mês. Essa baixa temperatura significa que a atividade econômica, depois do fundo do poço de abril, continua andando em marcha lenta, praticamente parada em vários setores. Com alta de 0,3% e avanço de 2,13%, no acumulado em 12 meses, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de julho, divulgado nesta sexta-feira (24), marcou o terceiro mês consecutivo abaixo do piso do intervalo do sistema de metas de inflação, que é de 2,5%.

Calculado no intervalo de de 30 dias entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira do mês em curso, o IPCA-15 antecipa seu irmão que apura a marcha da alta de preços em cada mês civil, com a mesma média de gastos e de pesos no consumo de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.

Um mais forte aumento do consumo, previsto nas projeções de um IPCA-15, em julho, de 0,51%, não se confirmou. Na verdade, o índice, acima do 0,02% de junho, subiu, em relação ao período anterior, em razão de altas em preços administrados pelo governo.

Transportes, com elevação em combustíveis, mas queda em transporte aéreo e viagens por aplicativo, e Habitação, com alta em energia elétrica, foram dois dos três grupos que apresentaram subida de preços. Além deles, a inflação avançou em Saúde e cuidados pessoais, onde estão os medicamentos.

Mesmo com os recursos do auxílio emergencial, sabidamente dirigidos sobretudo para despesas básicas, os preços dos alimentos recuaram, registrando deflação no IPCA-15 de julho. Produtos como carnes, que sofrem algum tipo de pressão derivada das variações da taxa de câmbio, evitaram um recuo mais acentuado dos produtos alimentícios.

Enquanto continuarem as transferências de recursos para vulneráveis e informais, os alimentos permanecerão com altas de preços no terreno positivo. A perspectiva é que terminem 2020 como principal grupo de alta de preços.

Já os serviços continuam sofrendo com a retração da demanda. O conjunto permaneceu estável no IPCA-15 de julho, e tende a marcar novas desinflações nos próximos meses.

A média dos núcleos, que medem variações de preços sem os efeitos sazonais ou imprevistos, praticamente não se alteraram em julho, com alta de 0,08%. Em 12 meses, acumulam inflação de 1,8%, próxima das projeções para o IPCA cheio do ano, ambos bem abaixo do piso do sistema de metas. Tanto o resultado de julho quanto as previsões para 2020 revelam que a tendência de desinflação é dominante, independendo dos desvios pontuais, para cima ou baixo, como nos combustíveis, no lado das altas nos preços, e das passagens aéreas, na parte dos recuos, observadas no IPCA-15 de julho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.