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José Paulo Kupfer

Otimismo com Biden reflete redução de incertezas e apostas no crescimento

José Paulo Kupfer

Jornalista profissional desde 1967, foi repórter, redator e exerceu cargos de chefia, ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, nas principais publicações de São Paulo e Rio de Janeiro. Eleito “Jornalista Econômico de 2015” pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo/Ordem dos Economistas do Brasil, é graduado em economia pela FEA-USP e integra o Grupo de Conjuntura da Fipe-USP. É colunista de economia desde 1999, com passagens pelos jornais Gazeta Mercantil, Estado de S. Paulo e O Globo e sites NoMinimo, iG e Poder 360.

10/11/2020 04h00

Bolsas abriram em forte alta em todo o mundo e o dólar operou em queda acentuada, com ajustes ao longo do dia, na maior parte dos mercados, nesta segunda-feira (9). As cotações do ouro caíram e as do petróleo sobem. Redução das incertezas com a vitória de Joseph Biden, nos Estados Unidos, perspectivas de moderação do novo governo americano, com a divisão entre democratas e republicanos no Congresso, em Washington, e notícias animadoras sobre vacinas contra a Covid-19. Esse, em resumo, as razões para o quadro otimista que se formou e se consolida pós-eleição nos EUA.

Ainda persistem dúvidas sobre os números finais do pleito e sobre a composição definitiva do Senado e da Câmara dos Representantes. Nada, porém, que possa alterar, em substância, o que o resultado já conhecido apontou. Donald Trump, o presidente derrotado, ainda esperneia, se nega a reconhecer a vitória do oponente, e dificulta a transição. Mas suas tentativas de anular votos e impugnar o pleito não estão surtindo efeito e é crescente a convicção de que a voz das urnas será respeitada.

Reduz-se, assim, cada vez mais, as incertezas em relação à posse do presidente que obteve maior número de votos populares e conseguiu delegados suficientes para ganhar no colégio eleitoral. São sinais captados pelos mercados, reforçados pelas indicações dos novos rumos da economia, transmitidos pelos vencedores, que estão levando a esses movimentos positivos. Instabilidades, de todo modo, ainda não devem ser inteiramente descartadas.

Nos pronunciamentos desde a confirmação de sua vitória, Biden tem reafirmado prioridade ao enfrentamento da pandemia e, em consequência, a disposição de destinar novos e gordos volumes de recursos tanto à área da Saúde quanto à sustentação de trabalhadores e empresas, afetados pela pandemia. As previsões são de que um novo pacote poderia alcançar até US$ 1 trilhão, o equivalente a 0,5% do PIB. É essa disposição, juntamente com a atuação do Federal Reserve, o banco central americano, na garantia da liquidez financeira, que está fazendo o dólar cair ante grande parte das outras moedas, inclusive o real brasileiro.

Quanto ao otimismo dos mercados, ele se apoia em duas apostas. A primeira é a de que a manutenção de uma forte influência republicana no Congresso será capaz de moderar o ímpeto por ampliar ainda mais os gastos públicos, aumentando a dívida pública. A outra é a de que, com Biden, os Estados Unidos voltarão a abraçar o multilateralismo e os investimentos em economia verde, o que tende a estimular os fluxos de comércio internacional e a atividade econômica global de um modo geral.

Anúncios de avanços em vacinas para barrar o contágio de Covid-19, mesmo ainda longe da data de aplicação em massa na população, reforça o cenário de otimismo com a recuperação das economias. A perspectiva de encerrar o ciclo de lockdowns intermitentes, altamente prejudiciais à atividade econômica, ganha força com a existência de vacinas que limitem contágios e, mais do que isso, permitam retomar um cotidiano econômico e social muito menos restritivo da movimentação de pessoas e, em consequência, dos negócios.

As movimentações nos mercados de ouro e de petróleo refletem exatamente esse cenário de perspectivas mais promissoras. No mercado de ouro, que é o último refúgio nas incertezas e volatilidades extremas dos mercados, as cotações apresentam agora descontração, sinal de que investidores estão desfazendo posições., Já o avanço das cotações de petróleo, cujo mercado mantém-se como indicador das perspectivas da atividade econômica, projeta remota dos investimentos e do crescimento em escala global.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.