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José Paulo Kupfer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Herança deixada para 2022 pela economia de 2021 é fraca

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José Paulo Kupfer

Jornalista profissional desde 1967, foi repórter, redator e exerceu cargos de chefia, ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, nas principais publicações de São Paulo e Rio de Janeiro. Eleito ?Jornalista Econômico de 2015? pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo/Ordem dos Economistas do Brasil, é graduado em economia pela FEA-USP e integra o Grupo de Conjuntura da Fipe-USP. É colunista de economia desde 1999, com passagens pelos jornais Gazeta Mercantil, Estado de S. Paulo e O Globo e sites NoMinimo, iG e Poder 360.

11/02/2022 15h25

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), a partir do qual o Banco Central acompanha, mês a mês, o ritmo da atividade, fechou dezembro com variação positiva de 0,33%. No último trimestre do ano, na métrica do IBC-Br, a economia ficou estável, avançando 4,5% em 2021, quando considerado o ano como um todo. A variação se alinha com as projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), no ano passado.

Em relação ao PIB, que busca abarcar o efetivo comportamento da economia como um todo, o IBC-Br é uma medida mais restrita da atividade econômica, baseada em pesquisas mensais de acompanhamento dos setores produtivos. Mas uma das medidas do IBC-Br, a média móvel trimestral, mais estável do que as aferições mensais, faz uma boa antecipação do real desempenho da economia. Nessa medida, o IBC-Br avançou 0,3%, no quarto trimestre de 2021.

Pelo IBC-Br, o impulso para a economia em 2022 transmitido pelo ritmo da atividade em 2021 não passa de 0,3% - foi de 4,2% de 2020 para 2021. Significa que, se a atividade não avançar ao longo deste ano, o crescimento anual se limitará a 0,3%. É exatamente esta, no momento, a projeção mediana dos analistas do mercado financeiro para a variação do PIB em 2022.

A atividade, medida pelo IBC-Br, chegou ao fim de 2021 0,5% acima do nível em que se encontrava no bimestre janeiro-fevereiro de 2020, o exato momento pré-pandemia. O desenho da trajetória mensal do indicador ao longo do tempo mostra uma linha quase reta, de estagnação, até o mergulho a partir do colapso da atividade, em março de 2020, chegando a um vale em abril daquele ano. A partir de então ocorre uma recuperação, no formato de "V" até novembro de 2020, e novamente numa reta até agora. A visão de conjunto exibe uma curva no formato do símbolo da raiz quadrada, mostrando que a recuperação não teve fôlego.

A expansão observada em dezembro - assim como em novembro -, de acordo com especialistas em acompanhamento da conjuntura econômica, representou um suspiro na estagnação que domina a atividade. Para janeiro, a consultoria MCM, das mais experientes e respeitadas do mercado, por exemplo, projeta recuo de 0,5% no IBC-Br.

Tal previsão se apoia na expectativa de queda forte no setor industrial, puxada por um tombo no importante segmento de veículos, e de retrocesso moderado no varejo e nos serviços. O setor agropecuário, o único em terreno negativo em dezembro, literalmente salvará a lavoura, com previsão de crescimento em janeiro. Algumas restrições na mobilidade, causada pelo avanço da variante ômicron do coronavírus no mês passado, além de novas dificuldades no fornecimento de peças e suprimentos à indústria, limitando a oferta, ao lado de altas nas taxas de juros e aperto nas condições financeiras em geral justificam as previsões.