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Bolsa de NY suspende ações da Eletrobras; caso é 'bomba' para governo Temer

Do UOL, em São Paulo

A Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), nos Estados Unidos, suspendeu a negociação das ações da Eletrobras nesta quarta-feira (18). A punição aconteceu porque a empresa não entregou seus balanços às autoridades norte-americanas até o prazo determinado. A decisão fez cair as ações da empresa (ELET3, ELET6) na Bolsa brasileira. A estatal disse que irá recorrer.

A consultoria KPMG, contratada para fazer a auditoria do balanço, não quer assinar o documento por não conseguir calcular os prejuízos da empresa com possíveis irregularidades. A Eletrobras foi envolvida em denúncias da Lava Jato, no ano passado, por meio de sua subsidiária Eletronuclear, que opera as usinas Angra 1 e Angra 2 e constrói Angra 3. 

Com a punição pela Bolsa de NY, há risco de credores da empresa decidirem cobrar da estatal até R$ 40 bilhões em dívidas antecipadamente. Esses recursos sairiam dos cofres públicos e aumentariam o rombo fiscal.

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, chamou a crise de uma verdadeira "bomba" a ser desarmada e colocou no topo dos "80 pontos emergenciais" que precisam ser resolvidos pelo governo do presidente interino Michel Temer.

No ano passado, a Petrobras também teve problemas com auditoria do seu balanço e correu o risco de ter a dívida antecipada. Isso provocou turbulência e desconfiança no mercado no começo do segundo mandato de Dilma Rousseff.

Atrasos consecutivos

A Eletrobras ainda não entregou documentos sobre seu desempenho financeiro em 2014 e 2015 para a Securities and Exchange Commission, órgão regulador do mercado norte-americano, equivalente à brasileira CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O prazo já havia sido estendido várias vezes. O balanço referente a 2014, por exemplo, deveria ter sido enviado à SEC até 30 de abril de 2015. Descumprido esse prazo, um novo foi estabelecido para 15 de maio de 2015 --também não atendido. Em 18 de maio do ano passado, a Bolsa de Nova York deu seis meses a mais para a Eletrobras. A data não foi respeitada, e a Bolsa concedeu mais seis meses, que terminaram nesta quarta-feira (18).

A Eletrobras informou, na noite de terça (17), em comunicado ao mercado, que não conseguiria enviar os documentos. 

A estatal contratou o escritório norte-americano Hogan Lovells para verificar a existência de irregularidades que violariam a Lei Anti-Corrupção norte-americana e as leis brasileiras. Segundo o comunicado da Eletrobras, as investigações "ainda não estão substancialmente completas", o que motivou o atraso.

Recibos de ações

Por se tratar de uma empresa estrangeira, são negociados nos EUA os recibos de ações da estatal (American Deposit Shares, ou ADS).

Os negócios com os papéis da Eletrobras foram suspensos e a Bolsa deu início ao processo de cancelamento de registro (deslistagem) da estatal brasileira. 

Com o prazo de 90 dias para julgamento do recurso, a previsão do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, é que a empresa possa, nesse período, publicar o balanço auditado e resolver as pendências com as autoridades norte-americanas. 

Se o processo for concluído, a Eletrobras diz que pretende recorrer.

Os investidores podem pedir o cancelamento dos papéis ou a migração para ações na Bovespa.

'A cada apuração, novos indícios de irregularidades'

"Nós entregamos todo o material de investigação interna ao auditor, mas foi bem em cima da hora e provavelmente o auditor contratado vai reprovar e pedir mais tempo", disse à agência de notícias Reuters uma fonte da empresa.

"Isso porque a cada apuração feita se encontra possíveis novos indícios de irregularidades que estimulam novas investigações", acrescentou.

"Deixar de ter os ADRs negociados sem dúvida não é positivo para a imagem da empresa, mas queremos ir a fundo nos malfeitos", disse a fonte da estatal.

Rombo nas contas

Na última segunda-feira (16), o ministro do Planejamento havia afirmado que a não apresentação do balanço da empresa causaria impacto nas contas públicas.

Em evento no Rio nesta manhã, o ministro disse que pretende apresentar na próxima semana a nova projeção de deficit primário deste ano e que, nela, deverão constar a renegociação da dívida com os Estados e eventuais perdas com a Eletrobras. Mas não deu detalhes sobre o número.

O governo ainda trabalha nos cálculos para estimar a situação fiscal do país, mas o rombo nas contas já ultrapassa a marca dos R$ 160 bilhões, segundo afirmou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), após conversa com o ministro Jucá.

(Com agências de notícias)

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