Dólar cai e volta a fechar abaixo de R$ 3,30 com otimismo no exterior

Do UOL, em São Paulo

dólar comercial fechou esta terça-feira (12) em queda de 0,36%, cotado a R$ 3,298 na venda. Na véspera, a moeda norte-americana havia subido 0,47%

Apesar da baixa de hoje, o dólar ainda acumula valorização de 2,64% no mês. No ano, no entanto, a moeda tem perda acumulada de 16,46%.

Otimismo no exterior

Investidores estavam otimistas em relação ao cenário internacional, com esperanças de estímulos econômicos no Japão e no Reino Unido.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, encomendou um pacote de novos estímulos econômicos para até o fim deste mês. O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, sinalizou novamente mais estímulos nesta terça-feira.

"Todo o nervosismo [no exterior] que vimos no mês passado deu lugar a uma recuperação impressionante no humor, em todo o mundo. O Brasil é um dos principais beneficiados porque o mercado está dando o benefício da dúvida para o governo", disse à agência de notícias Reuters o superintendente regional de câmbio da corretora SLW João Paulo de Gracia Corrêa.

A perspectiva de medidas de governos e bancos centrais vem se sobrepondo às preocupações com o impacto econômico da opção britânica por deixar a União Europeia (UE), no fim do mês passado. 

A ascensão de Theresa May ao cargo de primeira-ministra do Reino Unido contribuía para minimizar as incertezas políticas e também sustentava o apetite por aplicações mais arriscadas, como as dos países emergentes.

Atuação do BC

O dólar caiu mesmo com a atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Nesta sessão, o BC voltou a vender a oferta total de 10 mil contratos de swap cambial reverso, que equivalem à compra futura de dólares, repetindo a operação que realizou em todas as sessões deste mês exceto sexta-feira passada.

"Está cada vez mais claro que o BC é o principal comprador de dólares no mercado", disse à Reuters o estrategista de um banco internacional.

Cenário político

De maneira geral, operadores estão recebendo bem as promessas de ajuste fiscal do presidente interino, Michel Temer, apesar dos escândalos de corrupção envolvendo membros de alto escalão do governo.

No entanto, ressaltavam que o Brasil continua registrando grandes saídas de dólares, evidência de que o bom humor se concentra entre investidores locais. Em junho, a saída de dólares no país superou a entrada em US$ 3,56 bilhões.

"O estrangeiro está com pé atrás, esperando a confirmação do impeachment. Se virar a chave, podemos ver mais uma daquelas ondas de positividade que vimos no primeiro semestre", afirmou o estrategista, referindo-se ao processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, que deve ter julgamento final em agosto no Senado.

(Com Reuters)

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