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Ele ganhou 80.000% na Bolsa em um ano com operações arriscadas

Denyse Godoy

Colaboração para o UOL, em São Paulo

O empresário gaúcho Rafael Ferri, 38, conseguiu um feito raro e arriscado no mundo dos investidores. Ele lucrou 80.000% com suas aplicações na Bolsa fevereiro de 2016 e fevereiro de 2017. É um personagem polêmico e esteve envolvido num dos maiores escândalos recentes da Bolsa.

O investidor profissional mostrou à reportagem do UOL as guias do imposto de renda devidamente quitadas para provar o feito. Pediu apenas que os montantes exatos não fossem divulgados por razões de segurança.

Mas, para se ter uma ideia do que essa porcentagem significa, imagine que um trabalhador receba R$ 10.000,00 das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) -ampliar essa quantia em 80.000% significaria transformá-la em R$ 8 milhões, o suficiente para comprar uma cobertura de 400 metros quadrados na Vila Nova Conceição, o bairro mais valorizado da capital paulista, com uma Ferrari Spider na garagem.

Como ele conseguiu esse lucro tão expressivo em um curto período de tempo? Tal feito foi atingido principalmente com um instrumento perigosíssimo chamado "opção", que funciona como um contrato que dá a quem o adquire o direito de comprar ou vender no mercado uma determinada ação de empresa quando o seu preço atinge o nível desejado. Esse contrato depende da cotação de uma ação, mas é negociado individualmente na Bolsa.

Investidor apostou no Banco do Brasil e na Vale

Com as opções, o investidor pode reforçar um palpite sobre a valorização ou a derrocada de uma companhia, dependendo das suas expectativas para o desempenho dela. Se tais projeções estiverem corretas, os rendimentos da operação são levados à altura; caso contrário, o montante aplicado pode virar pó.

As principais convicções de Ferri, no começo do ano passado, diziam respeito à evolução da política brasileira e ao ritmo do crescimento da China, maior parceiro comercial do país. O investidor acreditava que a presidente Dilma Rousseff seria removida do cargo e discordava das previsões pessimistas para o país asiático, as quais projetavam uma queda nos preços das matérias-primas quando Pequim diminuísse os gastos para ampliar sua infraestrutura.

Seguindo esse raciocínio, o gaúcho apostou na apreciação do Banco do Brasil –porque, na sua opinião, uma mudança de comando beneficiaria a estatal– e também da Vale, a maior produtora de minério de ferro do mundo, que tem a China como seu principal destino de exportação.

E acertou: nos 12 meses até fevereiro de 2017, o BB subiu 120% na Bolsa, enquanto a Vale avançou 320%. Com o emprego das opções, ele conseguiu ampliar os seus ganhos até bater em 80.000%.

O investimento é contraindicado para inexperientes

Antes que alguém tente fazer igual, o próprio Ferri alerta: o investimento em opções é extremamente temerário e contraindicado para quem não tem experiência em operar na Bolsa e para os que sofrem quando perdem dinheiro.

"Eu gosto de correr riscos, porém, para atingir a rentabilidade de 80.000%, além de habilidade, tive uma sorte incrível", diz o empresário. "Qual é a chance de esses acontecimentos que observamos no Brasil e no mundo nos últimos meses se repetirem? Mínima. Seria difícil demais replicar em outro momento o resultado que consegui."

Possibilidade de imitar esses ganhos é rara

Segundo Maurício Bastter, especialista em mercado financeiro e autor de três livros sobre transações com opções, a viabilidade de repetir esses ganhos é tão rara que deve ser considerada nula.

"A imensa maioria de investidores que entram na Bolsa tem em mente esse tipo de notícia e fica esperando grandes lucros", afirma Bastter. "O resultado é que quase todos perdem e nunca mais querem ouvir falar desse mercado na vida. Achar que os capitalistas criaram uma Bolsa de Valores para colocar dinheiro fácil na mão de amadores é absurdo."

A quem deseja utilizar tal ferramenta, o conselho do especialista é estudar o assunto, colocar pouco capital nas negociações e estabelecer desde o início quanto se pode perder.

"O mercado de ações deve ser visto como um instrumento de poupança para formação de patrimônio no longo prazo", ressalta Bastter. "Opções podem ser utilizadas como remuneração extra da carteira, mas lembrando sempre que envolvem riscos. Se esse fato não for aceito, melhor esquecer que elas existem."

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