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Você fica feliz quando o dólar cai? Tem brasileiro que não gosta nada disso

Do UOL, em São Paulo

  • Thinkstock

dólar comercial fechou ontem em queda pelo quinto dia seguido, cotado a R$ 3,127 na venda, no menor valor desde 16 de maio (R$ 3,096). Quando o dólar cai, muitos brasileiros costumam comemorar, de olho em uma viagem para o exterior ou em algum produto importado.

Mas não é todo mundo que fica feliz com a queda do dólar, principalmente se ela acontece em pouco tempo. Veja alguns setores da economia que fazem parte desse grupo.

Exportadores

ksenia_bravo/iStock

"O exportador é o primeiro cara que é atingido em cheio", afirma Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital. Empresas que vendem para o exterior ficam menos competitivas com o dólar mais baixo, porque seus produtos ficam mais caros lá fora. 

Bergallo diz que o Brasil tem custos específicos e altos para empresas produzirem, em comparação com outros países. Por causa disso, elas precisam de um dólar mais forte para conseguir competir com o mercado estrangeiro. "O exportador só consegue ser competitivo se tiver essa variável [dólar mais caro] a favor dele".

Além disso, essas operações costumam ter prazos longos, o que pode prejudicar ainda mais essas empresas.

Por exemplo: uma empresa fecha um negócio agora para exportar seu produto, oferecendo um preço baseado no dólar de hoje; mas a conclusão do negócio será daqui a seis meses, quando ela receberá o pagamento. Se nesse meio tempo o dólar ficar muito mais barato, essa empresa pode ter perdas, porque aqueles dólares que receber representarão muitos reais a menos do que era previsto inicialmente.

Indústria em geral

Fernando Donasci/UOL

O exportador pode ser o mais afetado, mas a indústria brasileira em geral também sofre com uma queda muito abrupta do dólar. "A indústria toda fica com dificuldade de vender no mercado interno, porque os importados entram com preços mais baixos", diz Fernando Bergallo. "Com a diminuição de ritmo na atividade industrial, isso impacta já no médio prazo o nível de emprego." 

Quem recebe em dólar

Getty Images

Outras pessoas que não ficam felizes com a queda do dólar são aquelas que moram no Brasil, mas ganham em moeda estrangeira --por exemplo, por trabalhar em multinacionais, prestar consultoria a clientes estrangeiros ou se recebem pensões ou aposentadorias de outros países. Com o dólar baixo, a renda dessas pessoas diminui.

Quem vende imóveis a estrangeiros

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Alguns investimentos também são afetados diretamente pela queda do dólar. Bergallo cita o mercado imobiliário como exemplo, como a venda de casas e apartamentos para estrangeiros em locais turísticos do Brasil. "A venda para o estrangeiro é complicada. Ele vai ter que usar mais euros ou mais dólares para comprar a casa. Ela fica mais cara", diz. Assim, os imóveis ficam menos atraentes, e as vendas diminuem.

Afinal, qual é o valor ideal para o dólar?

Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Qual seria, então o valor ideal para o dólar, em comparação com o real, para diminuir os impactos, tanto para aqueles que querem comprar, quanto para os que querem vender dólares?

"Agradar gregos e troianos não dá, mas acho que tem uma faixa de preço que tanto quem vai pagar quanto quem vai receber em dólar vai se sentir confortável, que é o patamar de R$ 3,20", afirma Bergallo.

É claro que quem quer viajar ao exterior ou comprar dólares prefere um valor ainda mais baixo, mas as pessoas, de forma geral, já estão acostumadas com o dólar na casa dos R$ 3 (principalmente depois que a moeda chegou a custar mais do que R$ 4), segundo o diretor de câmbio.

Ao mesmo tempo, mesmo quem quer ver o dólar mais caro, para aumentar seu rendimento, consegue fazer negócios. "A conta fecha", afirma.

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