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Ação da Vale sobe 9%, e Bolsa avança; dólar fecha quase estável, a R$ 3,725

Do UOL, em São Paulo

30/01/2019 10h14Atualizada em 31/01/2019 10h58

As ações da mineradora Vale (VALE3) operavam em alta nesta quarta-feira (30). Por volta das 17h40, os papéis subiam 9,1%, a R$ 46,63. Na segunda-feira (28), na primeira sessão após o rompimento de uma barragem de rejeitos da companhia em Brumadinho (MG), as ações caíram 24,52%. Na terça-feira (29), subiram 0,85%

Na noite de terça, após o fechamento do mercado, a mineradora divulgou um plano de ação que contempla gastos de R$ 5 bilhões e corte de 10% na previsão de produção anual de ferro.

Para o analista Karel Luketic, da XP Investimentos, o anúncio ajuda a reduzir incertezas em relação ao impacto na produção de curto e de médio prazo. As dúvidas sobre potenciais processos judiciais permanecem. 

"A queda de aproximadamente 24% nos últimos dois dias, com perda de quase R$ 70 bilhões em valor de mercado [da Vale], parece já refletir parte relevante dos riscos", calcula Luketic, em relatório para clientes, no qual mantém a recomendação de 'compra' para as ações.

Especialistas ouvidos pelo UOL disseram que as ações da Vale subiram na véspera devido a dois fatores: possibilidade de mudança na diretoria da empresa e oportunidade de lucrar com os papéis no futuro.

Bolsa opera em alta; dólar fecha quase estável

Também por volta das 17h40, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançava 1,28%, a 96.859,40 pontos

dólar comercial fechou quase estável, com leve alta de 0,06%, a R$ 3,725 na venda. Na véspera, a Bolsa fechou com valorização de 0,2%, a 95.639,33 pontos, e a moeda caiu 1,14%, a R$ 3,723.

Vale vai cortar produção

A mineradora aprovou gastos de R$ 5 bilhões para acabar com as barragens a montante, o tipo de sistema utilizado na estrutura que se rompeu em Brumadinho.

A companhia terá que parar a produção de minério de ferro nas áreas próximas das unidades situadas em Minas Gerais, com impacto de 40 milhões de toneladas de minério de ferro e 11 milhões de toneladas de pelotas ao ano, anunciou na terça-feira o presidente da Vale, Fabio Schvartsman. Os 40 milhões de toneladas de minério de ferro representam 10% da previsão de produção da Vale.

Agência rebaixa nota da mineradora

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota da Vale para "BBB-" na noite de segunda-feira (28). O rebaixamento, segundo a Fitch, reflete a expectativa de que a companhia terá de arcar com pesados custos de reparação da tragédia.

Na terça-feira, a Moody's colocou a nota da mineradora em perspectiva negativa, ou seja, com possibilidade de rebaixamento em breve. O mesmo já havia sido feito pela S&P no sábado (26).

Mercado de minério de ferro

Após a Vale anunciar cortes na produção, os contratos futuros do minério de ferro na China subiram para o maior nível em quase 17 meses nesta quarta.

O desastre de Brumadinho gerou incertezas para o mercado de minério de ferro no país, maior importador global da matéria-prima, segundo operadores. A Vale é a principal fornecedora mundial de minério de ferro de baixo teor de alumínio, preferido pelas usinas siderúrgicas chinesas devido a seu baixo nível de impurezas.

O rompimento da barragem também pode levar a regulamentações mais duras para a indústria de mineração em outros países, como a Austrália, o que poderia desacelerar ou até reduzir a produção global, disse o cientista de dados da Tivlon, Darren Toth.

O rompimento da barragem no Córrego do Feijão é o segundo incidente em uma mina da Vale em pouco mais de três anos. Em 2015, uma barragem de rejeitos em uma mina da Samarco se rompeu e causou o maior desastre ambiental da história da mineração no país. A Vale é uma das donas da Samarco, junto com a australiana BHP Billiton.

(Com Reuters)

Veja o caminho percorrido pela lama da barragem de Brumadinho

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