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Bolsa despenca 4,87% e dólar sobe com temor de interferência na Petrobras

Indicação de Bolsonaro de novo presidente da Petrobras provoca queda nas ações da estatal - Isac Nóbrega/PR
Indicação de Bolsonaro de novo presidente da Petrobras provoca queda nas ações da estatal Imagem: Isac Nóbrega/PR

Do UOL, em São Paulo*

22/02/2021 17h29Atualizada em 22/02/2021 20h41

A Bolsa despencou 4,87% hoje em reação à indicação do general Joaquim Silva e Luna para assumir o cargo de presidente da Petrobras. O anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na noite de sexta-feira (19), ocorreu após o fechamento do mercado na semana passada.

O Ibovespa terminou o dia com 112.667,70 pontos, atingindo seu menor patamar desde 3 de dezembro de 2020, quando alcançou 112.291,59 pontos. Além disso, foi a maior queda diária do índice desde 24 de abril do ano passado, após a renúncia de Sergio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, quando teve queda de 5,45%.

O resultado da Bolsa foi impulsionado pela desvalorização das ações da Petrobras. Os papéis preferenciais da estatal, que são os mais negociados, caíram 21,51% no dia, enquanto as ações ordinárias, com direito a voto, tiveram perda de 20,48%.

Outra estatal que teve forte queda foi o Banco do Brasil, que terminou o dia com perda de 11,65%, seguido por Ultrapar (-7,83%) e ViaVarejo (-7,57%). Na outra ponta, a maior alta foi das Lojas Americanas, com valorização de 19,88%.

Já o dólar comercial fechou hoje (22) em alta de 1,27% ante o real, cotado a R$ 5,454 na venda. O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Hoje, o dólar chegou a subir cerca de 2,79%, mas desacelerou após o BC (Banco Central) atuar para segurar o câmbio. A autarquia promoveu entre instituições financeiras leilões que somaram US$ 1,8 bilhão, entre 11h e 11h45, numa tentativa de segurar as cotações da moeda americana.

A intervenção foi feita por meio de swap cambial, um tipo de contrato ligado ao câmbio que, ao ser negociado pelo BC, tem um efeito equivalente à venda de dólares no mercado futuro. Como o mercado futuro da moeda americana é o mais líquido no Brasil, sempre que negocia swaps o BC acaba por afetar também as cotações do dólar à vista - utilizado em transações comerciais, remessas ao exterior e operações entre instituições financeiras, por exemplo.

Temor com intervenção do governo na Petrobras

O mercado reagiu com preocupação à intervenção do governo na Petrobras. Bolsonaro negou no sábado que fará interferência nos preços de combustíveis, mas a medida tomada na sexta-feira agitou os investidores.

No sábado, Bolsonaro também prometeu mudanças nesta semana no setor elétrico ao afirmar que vai "meter o dedo na energia elétrica" e que "se a imprensa está preocupada com a troca de ontem (o anúncio de sexta sobre a Petrobras), na semana que vem teremos mais".

O movimento do presidente levanta dúvidas quanto à possibilidade de interferência política na petrolífera. Felipe Miranda, da Empiricus, afirma que as notícias dos últimos dias em relação à Petrobras são bastante graves, e fizeram ressurgir o "risco de cauda", o "medo de uma real explosão da economia brasileira". Para ele, porém, isso ainda é pouco provável. Uma consequência mais provável é que outros ativos brasileiros podem perder valor.

"Para comprar qualquer ativo brasileiro, diante da incerteza e do retorno do risco de cauda, todos exigirão algum desconto. Ninguém vai dar o benefício da dúvida ao governo", disse o sócio-fundador da casa de análise em publicação.

O Citi avaliou que o presidente já havia adotado práticas semelhantes no passado. "A reversão desses tipos de práticas por Bolsonaro no início de sua administração foi um fator positivo para a nota de crédito dos 'quase soberanos'. Uma reversão desta política é um claro (evento) negativo para crédito."

O risco-país também aumentou, medido pelo CDS (Credit Default Swap) de cinco anos, o mais acompanhado pelo mercado. O CDS funciona como um indicador da confiança de investidores em um país; se o número sobe, é sinal de que os investidores têm dúvidas sobre o futuro financeiro do país e de sua capacidade de resolver suas dívidas. O valor do CDS chegou a 182,26, depois de ter fechado a 158,88 na sexta-feira, alta de 14,71%.

Tais desdobramentos envolvendo a Petrobras vêm num momento de elevadas incertezas fiscais, com investidores continuando a acompanhar discussões em torno de mais auxílio emergencial para vulneráveis afetados pela crise da covid-19.

Com a dívida pública em patamares recordes, a maioria dos analistas concorda que qualquer renovação de ajuda financeira à população deve vir acompanhada de medidas concretas de corte de gastos, sob o risco de desrespeito ao teto fiscal do governo em 2021.

"Mesmo se não houvesse nada de relevante no cenário interno, o dólar provavelmente ainda estaria subindo bastante (contra o real), com os investidores preocupados com os rendimentos dos Treasuries e expectativas de aceleração da inflação nos Estados Unidos", disse Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB Investimentos à Reuters.

* Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo

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