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Bolsa sobe 0,65%, e dólar vai a R$ 5,797 com PEC e Lula ainda no radar

Dólar sobe, mas em um percentual menor do que chegou a atingir durante o dia - Getty Images via BBC
Dólar sobe, mas em um percentual menor do que chegou a atingir durante o dia Imagem: Getty Images via BBC

do UOL, em São Paulo

09/03/2021 18h13Atualizada em 09/03/2021 18h44

Em meio a tensões políticas no Brasil e dúvidas sobre a PEC Emergencial, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira, fechou em alta hoje (9). O índice teve valorização de 0,65% aos 111.330,62 pontos.

As ações da Minerva lideraram os ganhos na Bolsa, com 6,14% de alta. Na outra ponta, os papéis das Lojas Americanas caíram 5,70%.

Ontem (8), o índice teve valorização de 3,98% aos 110611,58 pontos, com os agentes do mercado preocupados com a repercussão da notícia sobre a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Já o dólar comercial fechou hoje (9) em alta de 0,33% ante o real, cotado a R$ 5,797 na venda, após abrir em alta de mais de 1%. É o maior patamar da moeda norte-americana desde o dia 15 de maio do ano passado, quando atingiu R$ 5,839.

Ontem (8), o dólar fechou em alta de 1,67% cotado a R$ 5,778 na venda. O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

A crise do coronavírus (covid-19) e as preocupações acerca das contas públicas, aliados agora ao receio sobre a movimentação política de Lula e a possível reação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seguem movimentando o mercado.

"O mercado aguarda os desdobramentos da decisão de Fachin", observaram analistas da CM Capital Markets em nota a clientes.

A medida do ministro Edson Fachin — que anulou todas as condenações impostas a Lula pela 13ª Vara Federal de Curitiba no âmbito da operação Lava Jato — devolve ao petista seus direitos políticos e poderá, se mantida, embaralhar a sucessão presidencial de 2022, gerando entre alguns investidores temores de polarização e, entre outros, de fortalecimento ainda maior de uma agenda populista.

"Como consequência da derrocada, logo surgiram várias teses de como a decisão poderia impactar o investidor negativamente. O efeito do abrupto advento de um forte rival político sobre (o presidente Jair) Bolsonaro foi uma das teorias mais citadas", escreveu em nota à Reuters Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

"O temor é de que, com o espectro de Lula pairando sobre a sua reeleição, Bolsonaro poderia agir de forma ainda mais errática e tomar ações populistas que comprometem a frágil situação fiscal do Brasil."

Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos, disse que os investidores temem que Bolsonaro "pise no acelerador na frente intervencionista" diante do contexto político, chamando a atenção ainda para sinais de que Bolsonaro estava negociando a desidratação da PEC Emergencial na Câmara dos Deputados.

"A notícia sobre Lula vem num contexto em que o dólar já estava em disparada desde a decisão de Bolsonaro de interferir na Petrobras. O mercado já estava avaliando se o governo estava dando uma guinada para o lado intervencionista.", disse à Reuters.

Diante da disparada da moeda norte-americana, Herrera, da Toro Investimentos, explicou que, após o momento de pânico inicial dos mercados, a partir de agora os investidores passarão por um momento de digestão dos acontecimentos na esfera política.

Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a ideia do relator da PEC Emergencial, deputado Daniel Freitas (PSL-SC), é manter com pouca ou nenhuma alteração o texto da proposta que veio do Senado. Lira, assim com Freitas, conversou com o presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira.

Bolsonaro disse na noite de segunda que a PEC ideal era a que seria aprovada pela Câmara, em meio a pressões de alguns aliados do presidente para poupar profissionais da segurança pública de congelamento de salários, como propõe o texto da PEC já aprovado pelo Senado.

(Com Reuters)

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