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Dólar sobe a R$ 4,973, em meio a denúncias contra governo; Bolsa cai 0,41%

Com a queda de hoje, o Ibovespa atingiu seu menor patamar desde 31 de maio (126.215,73 pontos) - Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo
Com a queda de hoje, o Ibovespa atingiu seu menor patamar desde 31 de maio (126.215,73 pontos) Imagem: Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

30/06/2021 17h21Atualizada em 30/06/2021 17h55

Em meio a novas acusações de corrupção contra o governo federal, o dólar registrou hoje sua segunda alta consecutiva, esta de 0,63%, e fechou o dia cotado a R$ 4,973 na venda. Com isso, a moeda americana volta a se aproximar da casa dos R$ 5, distanciando-se ainda mais de seu valor mínimo de 2021, alcançado no último dia 24 (R$ 4,905).

Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), registrou queda de 0,41%, aos 126.801,66 pontos. É o menor patamar atingido em quase um mês, desde 31 de maio, quando o indicador fechou aos 126.215,73 pontos.

Os desempenhos de hoje, porém, não foram suficientes para reverter as tendências apresentadas pelo dólar e pelo Ibovespa na maior parte das últimas semanas. Enquanto a moeda americana registrou perdas de 4,82% em junho, a Bolsa acumulou valorização de 0,46%.

No ano, o cenário é semelhante, com o dólar somando queda de 4,15% e o Ibovespa, alta de 6,54%. Na sessão de hoje, as ações do banco Inter (BIDI11) tiveram a maior valorização com 5,36%, enquanto os papéis da B2W Digital (BTOW3) terminaram com a maior queda, com perda de 3,80%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Denúncia de propina no radar

Enquanto ainda pairam incertezas sobre a reforma tributária, entrou no radar do mercado a denúncia de que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias teria cobrado propina durante uma negociação para compra de vacinas da AstraZeneca. O caso foi revelado ontem pelo jornal Folha de S.Paulo.

Dias foi citado à Folha por Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply. Segundo ele, o ex-servidor cobrou propina de US$ 1 por vacina para fechar contrato de compra de 400 milhões de doses. O pedido teria sido feito em um jantar no Brasília Shopping, em 25 de fevereiro.

Segundo especialistas, a notícia representa uma escalada nas investigações da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado.

"A CPI ajuda a fragilizar a situação do Executivo", explicou em seu blog Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos. "As propostas de reformas vindas do Executivo devem 'custar mais caro' politicamente, assim como sua posição política perante a sociedade fica mais fragilizada à medida que o tempo passa."

Enquanto as incertezas quanto à reforma tributária seguem tirando fôlego dos ativos locais, a nova acusação de corrupção contra o governo na compra do imunizante da AstraZeneca promete manter tensões elevadas em Brasília.
Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos

Espera por dados dos EUA

Já no exterior, o foco dos investidores internacionais estava na disseminação da variante delta do coronavírus, ainda mais infecciosa. Indonésia, Malásia, Tailândia e Austrália estão enfrentando surtos e apertando as medidas contra a covid-19, enquanto Espanha e Portugal anunciaram restrições para turistas britânicos não vacinados.

Paralelamente, os mercados aguardam ansiosamente por dados sobre a criação de empregos fora do setor agrícola nos Estados Unidos, que podem fornecer pistas sobre o futuro da política monetária do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano). Números separados — e menos abrangentes — divulgados hoje mostraram que a criação de vagas no setor privado aumentou de forma sólida em junho.

(Com Reuters)

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