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Dólar sobe 2,39%, maior alta em um dia desde setembro; Bolsa cai

Com 6ª alta consecutiva, dólar fecha em R$ 5,209; Ibovespa registra queda - Kevin David/A7 Press/Estadão Conteúdo
Com 6ª alta consecutiva, dólar fecha em R$ 5,209; Ibovespa registra queda Imagem: Kevin David/A7 Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

06/07/2021 17h40Atualizada em 06/07/2021 17h54

O dólar comercial registrou hoje o sexto dia de alta e encerrou com uma valorização de 2,39%, cotado a R$ 5,209 na venda. A forte alta de hoje foi a maior em um dia desde 18 de setembro de 2020, quando o dólar subiu 2,79%.

Esse também é o maior valor de fechamento desde 31 de maio, quando a moeda estava em R$ 5,225.

Na contramão do dólar, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores Brasileira (B3), teve queda de 1,44%, aos 125.094,88 pontos, distanciando-se do recorde de 130.776,27 pontos alcançados em 7 de junho.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Ativos respondem ao cenário político

Segundo analistas da Genial Investimentos, os comportamentos dos ativos financeiros no Brasil seguem refletindo o cenário político, em especial, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid. "As denúncias de corrupção na compra de vacinas têm se constituído em um importante fator de incertezas", explicaram especialistas da empresa em nota.

Com o governo federal envolvido em suspeitas referentes a compras de vacinas, a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou na última semana a abertura de um inquérito para investigar o suposto crime de prevaricação de Jair Bolsonaro (sem partido).

O presidente foi acusado recentemente de ter se envolvido em um esquema de "rachadinhas" quando era deputado federal. Áudios inéditos revelados pelo UOL indicam o envolvimento do chefe do executivo com o crime enquanto deputado federal.

As novas suspeitas vão de encontro ao que Bolsonaro propagava na campanha eleitoral de 2018, quando ele se dizia contrário à corrupção ocorrida em gestões anteriores.

Manifestações a favor do impeachment foram antecipadas após uma série de escândalos envolvendo o governo Bolsonaro e ocuparam as ruas de várias cidades brasileiras no último fim de semana.

Com o governo sob pressão, investidores começavam a voltar sua atenção para as eleições presidenciais de 2022, ressaltando que uma disputa polarizada entre candidatos vistos por agentes do mercado como populistas tenderia a elevar a cautela.

Uma pesquisa CNT/MDA, divulgada na segunda-feira, mostrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vence Bolsonaro nas simulações de primeiro e segundo turnos da eleição do ano que vem, indicando também uma forte rejeição ao atual presidente.

Mercados internacionais

No exterior, o dólar apresentava altas expressivas contra divisas emergentes pares do real.

O foco dos mercados internacionais está na ata da última reunião de política monetária do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA), que será divulgada amanhã e pode oferecer pistas sobre quando e como o banco central norte-americano reduzirá seu estímulo e elevará os juros.

Qualquer sinalização mais dura com a inflação pode beneficiar o dólar, dizem especialistas.

Preocupação com a variante delta da covid-19

Analistas do Bradesco informaram em nota que "preocupações com os impactos da variante delta do coronavírus sobre o processo de reabertura da economia global pesam sobre os negócios nesta manhã".

A variante é altamente transmissível e tem elevado a cautela de investidores nos últimos dias, principalmente devido à disparada de casos em países asiáticos. Ocorrências dessa variante já foram identificadas no Brasil.

* Com agência Reuters

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