PUBLICIDADE
IPCA
+0,53 Jun.2021
Topo

Cotações

Dólar tem maior queda diária desde março e fecha a R$ 5,084; Bolsa sobe

Queda de 1,87% é a maior registrada pelo dólar desde 31 de março, quando a moeda caiu 2,31% na sessão - Getty Images/iStock
Queda de 1,87% é a maior registrada pelo dólar desde 31 de março, quando a moeda caiu 2,31% na sessão Imagem: Getty Images/iStock

Do UOL, em São Paulo

14/07/2021 17h24Atualizada em 14/07/2021 17h52

Depois de acumular sucessivas altas no início do mês, o dólar registrou hoje forte queda de 1,87%, fechando o dia cotado a R$ 5,084 na venda. É a maior perda percentual diária desde 31 de março, quando a moeda americana encerrou a sessão em desvalorização de 2,31% frente ao real.

Já o Ibovespa chegou a sua terceira alta consecutiva, esta de 0,19%, e terminou a quarta-feira aos 128.406,51 pontos. Com isso, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) vai acumulando ganhos de 2,37% na semana, compensando a baixa de 1,72% registrada na anterior.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Fed no radar

Sob os holofotes dos investidores, esteve o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano), ao Congresso dos Estados Unidos. Dados divulgados na véspera, que mostraram um salto na inflação de junho no país, alimentaram expectativas de um fim mais rápido do estímulo do Fed à economia.

O dilema do Fed é distinguir quanto [do salto da inflação] é transitório e não exige redução de estímulos e quanto é permanente, que precisa ser combatido com menos liquidez e aumento das taxas de juros.
Analistas da Genial Investimentos, em nota matinal

Por ora, segundo Powell, o mercado de trabalho dos EUA "ainda está longe" do progresso que o Fed deseja ver antes de diminuir o valor destinado para apoiar a economia, enquanto o aumento nos preços ao consumidor deve recuar "nos próximos meses". A fala indica que o Banco Central americano deve manter os juros próximos a zero, o que ajuda a valorizar o real.

Alta recente é "temporária"

Uma sinalização de redução dos juros pelo Fed — o que estimularia o consumo e, assim, aqueceria a economia —, tende a favorecer moedas de países emergentes, como o Brasil, devido à manutenção da liquidez nos Estados Unidos.

Por isso, segundo o estrategista de juros e moedas para a América Latina do BNP Paribas, André Digiacomo, as recentes altas do dólar são apenas um "desvio temporário", e não comprometem uma tendência mais ampla de desvalorização.

"Voltamos a ver números consistentemente mais altos do dólar nas últimas semanas em meio a medidas de inflação cada vez mais elevadas nos EUA e a problemas idiossincráticos no Brasil, com momentos de turbulência política", explicou Digiacomo à Reuters. "Isso afastou o investidor estrangeiro e gerou muita volatilidade para nossa moeda."

Ainda assim, continuou, esse não é, necessariamente, o início de uma tendência persistente de alta.

Acreditamos que esse foi só um desvio temporário, com mais volatilidade e distúrbios políticos, e agora estamos voltando ao caminho natural das coisas, que é a gente ver um real mais forte.
André Digiacomo, do BNP Paribas

(Com Reuters)

Cotações