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Dólar sobe a R$ 5,423, maior valor em 3 meses; Bolsa também tem alta

Dólar agora acumula ganhos de 4,09% em agosto frente ao real; o Ibovespa, em contrapartida, caiu 3,81% - Getty Images/iStock
Dólar agora acumula ganhos de 4,09% em agosto frente ao real; o Ibovespa, em contrapartida, caiu 3,81% Imagem: Getty Images/iStock

Do UOL, em São Paulo

19/08/2021 17h22Atualizada em 19/08/2021 17h28

Com o mercado de olho nos juros nos Estados Unidos, o dólar chegou hoje a sua segunda alta consecutiva, esta de 0,89%, e encerrou o dia cotado a R$ 5,423 na venda. É o maior valor de fechamento alcançado em mais de três meses, desde 4 de maio, quando a moeda americana bateu os R$ 5,431 no fim da sessão.

O Ibovespa, por sua vez, interrompeu uma sequência de três quedas consecutivas de mais de 1% e terminou a quinta-feira (19) em alta de 0,45%, aos 117.164,69 pontos. Na véspera, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) havia voltado aos 116 mil pontos, no menor patamar em mais de quatro meses.

Com a nova alta, o dólar agora acumula ganhos de 4,09% em agosto frente ao real. O Ibovespa segue no vermelho, com queda de 3,81% no mês.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Atenção nos EUA

A nova alta do dólar representa uma reação dos investidores à possibilidade levantada por autoridades do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) de redução dos estímulos à economia americana já em 2021, além das incertezas políticas e fiscais que persistem no Brasil.

A maior parte do comitê do Fed que define as taxas de juros, hoje próximas a zero, está se unindo em torno de um plano que fará com que o a autoridade monetária comece a cortar seu programa de compra de títulos no fim deste ano, segundo mostrou a ata de sua última reunião.

Embora o documento tenha tentado desvincular o fim das compras com a necessidade de alta nos juros, "o mercado ainda deve enxergar que quão mais cedo ocorrer o anúncio, maior a probabilidade de aumento da taxa de juro no final de 2022", explicou em relatório a equipe de pesquisa macro do BTG Pactual.

A única coisa que está mais clara agora do que antes da divulgação da ata é que a multidão 'hawkish' [mais austera, que defende juros mais altos para controlar a inflação] que tem clamado publicamente por uma redução 'logo e rápida' não representa a opinião da maioria.
Thomas Simons e Aneta Markowska, do Jefferies, em nota

Otimismo com Brasil "acabou"

No Brasil, "o otimismo no mercado financeiro acabou", disse à Reuters Vinicius Martins, gerente da Phi Investimentos.

O preço [do dólar] que estamos vendo faz jus ao momento do mercado e não há grandes indícios de melhora. Isso porque um alívio dependeria de vários fatores difíceis de serem resolvidos no curto prazo: a questão fiscal doméstica, principalmente com a aproximação das eleições, e o endurecimento da postura do Fed lá fora.
Vinicius Martins, da Phi Investimentos

O esforço do governo brasileiro por mudanças nos pagamentos de precatórios e mais gastos com auxílio à população têm elevado as dúvidas dos investidores sobre a capacidade do Brasil de respeitar o teto fiscal, enquanto atrasos na votação do projeto que altera a cobrança do IR (Imposto de Renda) colaboram para a aversão a risco e volatilidade nos mercados domésticos.

Questionado se o Banco Central poderia intervir com mais força no mercado de câmbio frente à valorização do dólar, Martins disse que o "BC só vai intervir se o movimento do dólar for muito específico e houver descolamento do Brasil em relação a outras economias semelhantes". Não é o caso agora, uma vez que a moeda norte está ganhando força no mundo todo.

(Com Reuters)

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