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Dólar cai a R$ 5,455, após 5 altas semanais; Bolsa tem maior nível em 1 mês

4.out.2021 - Painel da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) em dia de pregão; Ibovespa, dólar, mercado financeiro - Cris Fraga/Estadão Conteúdo
4.out.2021 - Painel da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) em dia de pregão; Ibovespa, dólar, mercado financeiro Imagem: Cris Fraga/Estadão Conteúdo

Do UOL*, em São Paulo

15/10/2021 17h31Atualizada em 15/10/2021 21h01

O dólar comercial fechou em queda de 1,11% nesta sexta-feira, a R$ 5,455, após uma nova intervenção do Banco Central. É o menor valor em quase duas semanas, desde 4 de outubro (R$ 5,447). Com o resultado, a moeda acumulou perdas também de 1,11% na semana, após cinco altas semanais.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, teve o melhor resultado do mês até o momento e fechou em alta de 1,29%, aos 114.647,99 pontos. É o maior patamar em um mês, desde 15 de setembro (115.062,54 pontos). Na semana, a Bolsa ganhou 1,61%, interrompendo duas semanas de queda.

O índice foi puxado principalmente pela alta de 12,4% em ações do Pão de Açúcar. O grupo anunciou hoje a venda de lojas da rede Extra para o Assaí.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

'Alívio de curto prazo'

O Banco Central fez uma nova intervenção hoje no mercado de câmbio, e vendeu 20 mil contratos de swap cambial tradicional, irrigando o mercado com liquidez extraordinária pelo terceiro dia consecutivo. O diretor de política monetária do Banco Central, Bruno Serra, de que o BC intervirá no mercado de câmbio quando necessário.

Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, explicou em nota que o leilão foi uma tentativa de suprir a demanda da moeda estrangeira no mercado, e deve fornecer alívio de curto prazo para o real.

Mas "o dólar, pressionado pelo exterior e pelos riscos fiscais domésticos, não se afasta do viés de valorização", alertou o especialista.

Vários analistas têm alertado para uma tendência global cada vez menos favorável para moedas de países emergentes, à medida que o banco central dos Estados Unidos se aproxima de reverter os estímulos que sustentaram o apetite por risco dos investidores durante a crise da pandemia. A essa perspectiva somam-se temores generalizados de alta da inflação e desaceleração do crescimento global.

Nesse contexto, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes tocou uma máxima em cerca de um ano na última terça-feira.

No Brasil, dúvidas sobre a capacidade do governo de respeitar seu teto fiscal rondam os mercados há meses, intensificadas por ruídos sobre possível extensão do auxílio emergencial para a população e pela conta bilionária de precatórios para 2022.

Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora, também tem "percepção de pouco governo e planos e muita politicagem", citando insatisfação com o andamento da agenda de reformas doméstica, cultivo de ambiente irritadiço entre os Poderes e percepção de que o Banco Central não está elevando os juros no ritmo necessário para conter a inflação.

Nesse contexto de "desestruturação", o "dólar pode ficar sendo 'mascarado' com leilões de swaps pontuais ou impontuais".

*Com Reuters

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