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Dólar tem maior alta em 2 semanas, de 1,2%, e fecha a R$ 5,521; Bolsa cai

Mulher conta notas de dólar em Buenos Aires - Marcos Brindicci
Mulher conta notas de dólar em Buenos Aires Imagem: Marcos Brindicci

Do UOL*, em São Paulo

18/10/2021 17h34

O dólar comercial subiu nesta segunda-feira e voltou a ultrapassar R$ 5,50, mesmo após o Banco Central injetar US$ 1,2 bilhão no mercado de câmbio. A moeda norte-americana fechou com alta de 1,21%, cotada a R$ 5,521 na venda, na maior alta diária em duas semanas, desde 4 de outubro (1,44%).

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,19% e fechou em 114.428,18 pontos. A Bolsa começou o dia em baixa, acompanhado a tendência global negativa, após a China anunciar crescimento econômico abaixo do previsto. No começo da tarde, chegou a se valorizar — puxada pelas ações da Getnet, que estreou hoje, e das Lojas Americanas, que subiram 21,3% com uma possível fusão e abertura de capital nos Estados Unidos.

Com o resultado de hoje, o dólar soma valorização de 6,39% frente ao real em 2021. O Ibovespa, em contrapartida, registra queda de 3,86% desde o início do ano.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Intervenções não alteram tendências estruturais do câmbio

Os leilões de swap cambial tradicional desta segunda-feira foram divididos entre oferta extraordinária de 10 mil contratos e oferta já prevista pelo calendário de 14 mil contratos, em meio a esforços do BC para suprir demanda por moeda estrangeira e amenizar distorções na taxa cambial. A autarquia vendeu todos os contratos ofertados, o equivalente a US$ 1,2 bilhão.

Apesar de o Banco Central estar marcando presença nos mercados nas últimas sessões, especialistas apontam que suas intervenções não alteram tendências estruturais do câmbio.

"A atuação do Banco Central não muda tendência da moeda; se muda, é apenas no curtíssimo prazo. O que o BC pode fazer é segurar a volatilidade" e evitar que o dólar suba fora de controle, disse Marcos Weigt, chefe de tesouraria do Travelex Bank.

Dólar poderia cair, mas incerteza político-fiscal atrapalha

O dólar poderia cair até 3,5% ante o real no caso de uma "resolução satisfatória" para questões de curto prazo do Orçamento, como a possível votação nesta semana da PEC dos precatórios na Câmara, disseram profissionais do Barclays em nota nesta segunda-feira.

Segundo cálculos, essa seria a contribuição do fator local à performance fraca da taxa de câmbio entre agosto e a primeira metade de setembro, o que os profissionais entendem como uma reação à incerteza político-fiscal doméstica.

"Uma resolução das questões orçamentárias de curto prazo (precatórios, expansão de programas sociais, etc.) poderia permitir que parte desse prêmio de risco fosse eliminada", disseram.

O que se considera como a última parcela do auxílio emergencial está sendo paga neste mês, aumentando a pressão sobre o Executivo acerca de uma extensão do benefício ou da instituição de um Bolsa Família turbinado, que se chamaria Auxílio Brasil.

Desde a segunda quinzena de setembro, porém, outros fatores têm se tornado mais determinantes na formação do preço da taxa de câmbio, com o componente internacional mais presente depois da reunião de política monetária do banco central dos EUA, disse o Barclays.

Mas um elemento "residual" (não capturado pelo modelo do banco) começou a ter mais influência no sentido de elevar o dólar nas últimas semanas, disseram os profissionais, para quem as intervenções do Banco Central no câmbio foram ditadas em parte pelo desempenho pior do real, que não estaria correlacionado a outros fatores.

Segundo o Barclays, o aumento desse componente residual pode estar relacionado ao recente rali nos preços globais de energia e às discussões na seara política para reduzir a volatilidade dos preços locais dos combustíveis.

"Não esperamos que o (fator) residual seja corrigido de forma significativa com uma resolução da incerteza orçamentária, visto que seu aumento recente parece um tanto desconectado da discussão fiscal principal."

*Com Reuters

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